Várzea Grande (MT) — O deputado estadual Fábio Tardin (PSB) criticou a Prefeitura de Várzea Grande, o Judiciário mato-grossense e a empresa Locar Saneamento pelo prolongado embate em torno da coleta de lixo no município. Para o parlamentar, a disputa judicial e administrativa deixa a população sem um serviço essencial. “Infelizmente, quem está pagando por tudo isso é a população de Várzea Grande”, declarou.
O contrato da Locar com a prefeitura terminou em novembro do ano passado. Insatisfeita com a qualidade da coleta, a prefeita Flávia Moretti (PL) assinou um contrato emergencial com outra fornecedora, justificando que seguia orientação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A nova contratação, no entanto, foi questionada pela Locar, que alegou valores superiores aos previstos anteriormente e possível prejuízo aos cofres públicos.
Tardin reconheceu falhas na prestação de serviço pela Locar, mas também mencionou dívidas da prefeitura com a empresa. Segundo ele, a estratégia de judicialização adotada pela concessionária estende o impasse. “A Locar recorre à Justiça há anos e, dessa forma, atrapalha a cidade. O Judiciário, de uma forma ou de outra, também contribui para esse atraso”, disse.
O embate ganhou novo capítulo em janeiro deste ano. O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, anulou a decisão que suspendia o contrato emergencial com o Consórcio Pantanal Saneamento, o que manteve a nova empresa na cidade. Menos de 24 horas depois, porém, o magistrado revogou a própria decisão, determinando o retorno da Locar aos serviços até que o mérito da ação fosse apreciado pelo órgão competente.
Com a recente reviravolta judicial, a prefeita precisou dispensar o consórcio e convocar novamente a Locar, mesmo diante de reclamações de falta de coleta em diversos bairros. Moradores relatam atrasos e acúmulo de resíduos, enquanto a administração municipal afirma buscar solução definitiva por meio de uma licitação regular.
Para Tardin, a instabilidade compromete não apenas a limpeza urbana, mas a saúde pública. O deputado cobrou “responsabilidade e celeridade” dos envolvidos para encerrar o impasse e garantir a continuidade do serviço. “É uma guerra que não deveria existir; quem precisa de coleta todos os dias não pode ficar no meio dessa disputa”, concluiu.
Enquanto aguarda decisão final da Justiça, o município mantém a Locar como prestadora. A prefeitura ainda não divulgou prazo para concluir um novo processo licitatório que estabeleça contrato de longo prazo e encerre a sequência de medidas emergenciais e disputas judiciais.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
