O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, afirmou que o agronegócio foi negligenciado pela gestão do presidente Lula (PT) e avaliou que produtores e empresários podem “dar o troco” nas urnas caso o petista tente disputar um quarto mandato. A declaração foi feita em entrevista concedida nesta quarta-feira (14).
Beber classificou o Plano Safra 2025, estimado em R$ 516 bilhões, como insuficiente para estimular o setor. O dirigente criticou especialmente a variação das taxas de juros, que, segundo ele, oscilam entre 2% e 14% ao ano dependendo do porte do produtor. “Juros altos desestimulam a produção no país”, resumiu.
Outro ponto apontado como negativo foi a demarcação de novas terras indígenas. Para o líder da Aprosoja-MT, as medidas aumentaram a insegurança jurídica no campo ao desrespeitar produtores que, na avaliação da entidade, já possuem títulos regulares de propriedade. “Vimos uma atuação de perseguição e desvalorização do setor”, disse.
Possível impacto eleitoral
Questionado sobre os reflexos políticos das ações do governo federal, Beber evitou partidários, mas não descartou que o segmento rural responda nas urnas. “Como entidade, devo me posicionar tecnicamente. A escolha cabe ao produtor, que busca segurança jurídica. O que vimos foi insegurança”, argumentou.
A resistência ao presidente Lula é mais evidente em Mato Grosso, estado que demonstrou forte apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em eleições anteriores. Desde janeiro de 2023, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), recebeu de Lula a tarefa de “pacificar” a relação com o agronegócio, mas parte do setor continua crítica.
Moratória da Soja na mira
Beber também citou a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) ao defender a legalidade da Moratória da Soja. O acordo, firmado por empresas exportadoras, restringe a compra de grãos provenientes de áreas recentemente desmatadas na Amazônia. Para o presidente da Aprosoja-MT, a medida contraria a legislação que permite a abertura de novas áreas de cultivo quando obedecidos os requisitos ambientais. Ele considera que a postura do governo federal reforça a insegurança jurídica e prejudica a competitividade brasileira.
Apesar das críticas, Beber não detalhou quais políticas seriam necessárias para reverter o quadro. O dirigente reforçou que o principal pedido do setor é a previsibilidade. “Produtor e qualquer empresário brasileiro precisam de regras claras. Sem isso, o investimento recua”, concluiu.
Lucas Beber assumiu o comando da Aprosoja-MT em janeiro de 2024. A entidade representa produtores de soja e milho em um estado que, segundo dados oficiais, responde por cerca de 30% da produção nacional de grãos. As declarações do dirigente reacendem o debate sobre a relação do governo Lula com um dos pilares da economia brasileira.
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Beber diz que agro não foi priorizado e acredita que Lula pode ter troco nas urnas pic.twitter.com/NLjYlBNZod
— RDNews (@_rdnews) January 15, 2026
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
