Ícone do site MatoGrossoAoVivo

Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá: balanço do legado e a paixão histórica do futebol mato-grossense

Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá: balanço do legado e a paixão histórica do futebol mato-grossense

A cada nova edição da Copa do Mundo, o Brasil revive a paixão pelo futebol, e para os mato-grossenses, a lembrança de 2014 é inevitável. Naquele ano, Cuiabá se projetou no cenário global ao sediar jogos do maior evento esportivo do planeta, com a recém-construída Arena Pantanal. A experiência elevou a autoestima local e colocou a capital de Mato Grosso sob os holofotes internacionais, marcando um capítulo singular na história do estado.

Contudo, a memória da Copa de 2014 em Cuiabá é permeada por um misto de orgulho e frustração. Se, por um lado, o estado celebrou a visibilidade e o sucesso dos jogos, por outro, enfrentou a desilusão com promessas de infraestrutura que não se concretizaram integralmente. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e o COT do Pari, em Várzea Grande, tornaram-se símbolos de um legado que poderia ter sido mais abrangente e entregue no prazo esperado, um desafio comum a outras sedes brasileiras, conforme reportado por veículos como o UOL. Apesar dos desafios e atrasos, é inegável que a Copa impulsionou transformações significativas, e a percepção geral é de que a experiência valeu a pena para a capital mato-grossense.

Raízes históricas do futebol em Mato Grosso

A relação de Mato Grosso com o futebol transcende o evento de 2014, enraizando-se profundamente na história do estado. Na década de 1970, a construção do Estádio Verdão reforçou a identidade esportiva de Cuiabá e fortaleceu clubes tradicionais que moldaram o futebol mato-grossense, como o Dom Bosco (fundado em 1925), o Mixto (1934) e o Operário (décadas de 1970). Essas agremiações são pilares da memória cultural e social da população local.

Ainda mais cedo, nos anos 1950, o esporte já atuava como catalisador de mudanças urbanas. A edificação do Estádio Dutrinha, por iniciativa do então Presidente da República cuiabano Eurico Gaspar Dutra, foi um marco. O projeto impulsionou a modernização do bairro do Porto, com a implementação de pavimentação, iluminação pública e até mesmo um sistema de transporte por bondes para os torcedores, inicialmente movidos a tração animal e, posteriormente, elétricos. Naquele período, o futebol se consolidou como um vetor de desenvolvimento urbano.

Essa rica trajetória é detalhada na obra “O Futebol em Mato Grosso: História, Legado e Projeções”, resultado de uma pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO/UFMT). O estudo, assinado por Allan Kardec Benitez, demonstra que a Copa do Mundo de 2014 é apenas um capítulo recente de uma narrativa esportiva muito mais vasta e profunda no estado. Benitez, inclusive, manteve-se contrário à demolição do antigo Verdão, defendendo que o estádio poderia ter sido modernizado, seguindo exemplos de outras capitais, embora reconheça os ganhos trazidos pela Arena Pantanal.

Lições da Copa e a ascensão do Cuiabá Esporte Clube

A Copa de 2014 também deixou momentos inesquecíveis, como o memorável gol do colombiano James Rodríguez e a vibrante presença de mais de 20 mil torcedores chilenos, que transformaram Cuiabá em um verdadeiro palco internacional. Essas imagens reforçam a capacidade do esporte de unir e projetar culturas.

A lição de que nenhuma vitória é por acaso, exigindo planejamento, disciplina e trabalho coletivo, estende-se para além dos gramados, alcançando a esfera pública. Mato Grosso, um estado de vastas oportunidades, enfrenta o desafio de converter seu crescimento econômico em desenvolvimento social, gerando mais chances para a juventude, investindo em educação e assegurando que o progresso beneficie a todos.

Nesse contexto, a ascensão do Cuiabá Esporte Clube representa um capítulo notável. O clube, pioneiro como clube-empresa no Brasil, alcançou a Série A do Campeonato Brasileiro em 2019, inaugurando um período de grande relevância para o futebol mato-grossense. Entre 2020 e 2022, o estado desfrutou da presença constante na elite do futebol nacional, recebendo equipes de grande porte como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Vasco. Essa visibilidade impulsionou o fortalecimento do esporte local. Embora o clube atualmente dispute a Série B, esse ciclo recente evidencia o potencial construído e aponta caminhos promissores para o futuro, diretamente conectado ao legado de infraestrutura e projeção deixado pela Copa do Mundo.

O sonho do Hexa e o futuro de Mato Grosso

Com a proximidade da Copa de 2026, a paixão pelo futebol reacende no povo brasileiro. Há uma curiosa coincidência: o Brasil ficou 24 anos sem um título mundial entre 1970 e 1994. Agora, novamente, 24 anos se passaram desde a conquista de 2002. A Seleção Brasileira se prepara para o torneio cercada de desconfiança, um cenário que, para alguns, pode ser propício para uma surpresa, assim como em 1994.

Torcer pelo Brasil vai além do esporte; é um ato de reafirmar a crença no futuro, na capacidade de aprender com os erros, corrigir rumos e edificar um país mais justo. Se o tão almejado hexa vier, será um motivo de grande celebração. No entanto, o maior título que Mato Grosso e o Brasil podem conquistar reside na garantia de dignidade, oportunidades equitativas e qualidade de vida para toda a sua população.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MT Esporte

Sair da versão mobile