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MP Eleitoral pede depoimentos e novas provas em ação que pode cassar candidaturas de Mauro e Virginia Mendes

Investigação apura suspeita de showmício na Arena Pantanal durante a campanha eleitoral; entre as testemunhas estão o procurador-geral de Justiça, um promotor e um jornalista.

A Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso defendeu o prosseguimento das investigações sobre um suposto showmício realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá, durante a campanha eleitoral de 2026.

O Ministério Público Eleitoral se manifestou favoravelmente à oitiva de testemunhas e à produção de novas provas em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação dos registros de candidatura de Mauro Mendes e Virginia Mendes.

O parecer foi assinado pelo procurador regional eleitoral Fabrizio Predebon da Silva na terça-feira (13). A manifestação atende a pedidos relacionados à instrução do processo, etapa destinada à coleta de informações e depoimentos que poderão ajudar a Justiça Eleitoral a analisar as acusações.

A ação foi apresentada pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), candidato ao Senado, que sustenta que um espetáculo musical realizado na Arena Pantanal teria sido utilizado para promover candidaturas durante o período eleitoral.

Procurador-geral de Justiça está entre as testemunhas

Entre as testemunhas indicadas por Taques estão o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Rodrigo Fonseca, o promotor de Justiça Mauro Poderoso e o jornalista André Michels, proprietário do portal Repórter MT.

Segundo o autor da ação, essas pessoas teriam presenciado o episódio que motivou a investigação. A oitiva deverá permitir que prestem esclarecimentos sobre os fatos, caso sejam convocadas pela Justiça Eleitoral.

O Ministério Público também se manifestou favoravelmente aos depoimentos de testemunhas indicadas pelos investigados: Andraus Araujo de Lima, conhecido como Cuiabano Lima, Thiago André Morais Martins e Jaqueline Gomes da Silveira.

Investigação envolve show realizado na Arena Pantanal

O caso tem como ponto central o espetáculo musical “Histórias — O Show do Século”, realizado em 26 de setembro de 2026, na Arena Pantanal, estádio pertencente ao governo de Mato Grosso.

Na ação, Pedro Taques alega que manifestações feitas durante o evento teriam beneficiado as candidaturas de Mauro Mendes ao Senado e de Virginia Mendes à Câmara dos Deputados. O pedido também alcança os suplentes Cidinho Santos e Elson Ramos.

A acusação aponta possíveis irregularidades eleitorais relacionadas à promoção de candidaturas em um evento musical e ao eventual abuso de poder político ou econômico. As alegações ainda dependem da análise das provas e do julgamento da Justiça Eleitoral.

Mauro Mendes negou anteriormente ter solicitado a manifestação política atribuída ao apresentador do evento. A apuração deverá considerar os elementos apresentados pelas partes e os esclarecimentos colhidos durante a instrução.

MP quer informações sobre produção e divulgação do evento

Além das oitivas, o procurador regional eleitoral concordou com a produção de provas e com a solicitação de informações à Secretaria de Estado de Cultura e Lazer (Secel-MT), à empresa Ditado Produções e à Meta Platforms, responsável por redes sociais como Instagram e Facebook.

A Ditado Produções pertence a Elson Ramos, que também figura como investigado no processo e é suplente na chapa de Mauro Mendes.

As informações solicitadas poderão contribuir para esclarecer aspectos relacionados à organização do espetáculo, aos contratos envolvidos e à divulgação de conteúdos associados ao evento.

Próximas etapas do processo

Após a realização das diligências, o parecer do Ministério Público prevê a abertura de prazo para que as partes apresentem alegações finais. Na sequência, o órgão ministerial deverá emitir manifestação conclusiva sobre a procedência ou não da ação.

A decisão sobre eventual cassação caberá à Justiça Eleitoral, após a análise do conjunto probatório e dos argumentos apresentados pelos envolvidos.

Até essa etapa, a existência da ação e a produção de provas não representam uma condenação nem significam que as candidaturas serão cassadas.

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