O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli responsabiliza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela remessa, pela Polícia Federal (PF), de um relatório que detalha suas ligações com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi revelada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada por pessoas próximas ao magistrado.
De acordo com a reportagem, Toffoli disse a interlocutores que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, só teria encaminhado o documento ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após aval direto de Lula. O dossiê inclui registros de ligações telefônicas, mensagens e movimentações financeiras supostamente relacionadas ao ministro.
Desconfiança sobre o comando da PF
Para o ministro, Rodrigues — no posto desde o início do atual governo — não teria autonomia para levar o material ao tribunal sem antes obter autorização do Palácio do Planalto. A avaliação foi compartilhada horas antes de colegas do STF sugerirem que Toffoli se afastasse da relatoria do processo que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Na véspera dessa pressão interna, Lula recebeu no Palácio do Planalto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e solicitou “rigor máximo” na apuração das denúncias relativas à instituição financeira de Vorcaro. Na condição de chefe do Ministério Público Federal, Gonet é quem pode pedir a suspeição de um ministro do Supremo em caso de conflito de interesses.
Mágoa desde 2019
Ainda segundo apuração de Malu Gaspar, Toffoli acredita que o presidente guarda ressentimento de um episódio ocorrido em janeiro de 2019. Na época, Lula cumpria pena por corrupção e lavagem de dinheiro na Superintendência da PF em Curitiba quando recebeu a notícia da morte do irmão Genivaldo Inácio da Silva, o “Vavá”.
Após negativas em primeira e segunda instâncias, a defesa do ex-mandatário recorreu ao STF. Como presidente da Corte e plantonista do recesso judiciário, Toffoli autorizou a saída de Lula apenas minutos antes do enterro, que aconteceria em São Bernardo do Campo (SP), a mais de 400 quilômetros da capital paranaense. O despacho condicionava o encontro da família em um quartel do Exército, onde o corpo poderia ser levado. Diante das restrições e do prazo exíguo, Lula decidiu não viajar.
Apesar de uma reaproximação no fim de 2024, a insatisfação do petista nunca teria se dissipado totalmente, avalia o ministro. Toffoli foi indicado ao Supremo por Lula em 2009, quando o presidente cumpria o segundo mandato no Planalto.
Procuradas, a Presidência da República e a Polícia Federal não comentaram as declarações atribuídas ao ministro. O STF também não se pronunciou oficialmente sobre o conteúdo do relatório nem sobre eventual pedido de suspeição.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
