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Judocas Brasileiras: Preconceito e Inspiração no Esporte

Duas das mais destacadas judocas da seleção brasileira, Rafaela Silva e Jéssica Pereira, participaram de um evento recente que abordou a equidade de gênero e o desenvolvimento social, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. O encontro, realizado na última quinta-feira (12) no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, teve como foco as trajetórias das atletas, as dificuldades enfrentadas para se manter no esporte de alto rendimento e os preconceitos sociais e de gênero que marcaram suas carreiras.

Rafaela Silva, medalhista olímpica e uma das vozes do evento, ressaltou a importância de sua jornada para as novas gerações. “Através da minha história, da minha conquista ali, da minha medalha, eu estava inspirando outras gerações”, afirmou a atleta, destacando o impacto de suas vitórias. A moderação do debate foi conduzida por Camila Dantas, gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Trajetórias de Superação

Com 33 anos, Rafaela Silva teve seu primeiro contato com o judô aos cinco anos, por meio de um projeto social na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Após uma experiência em que se sentiu excluída no futebol por ser a única menina, encontrou no judô um ambiente onde crianças de ambos os gêneros interagiam e se divertiam juntas. Sua entrada na seleção brasileira em 2008 revelou outro desafio: a desconfiança da confederação em relação ao nível das atletas femininas, que inicialmente não eram incluídas nos treinamentos no Japão, berço da modalidade. A judoca observa que esse cenário evoluiu com o tempo.

Jéssica Pereira, de 31 anos, tricampeã pan-americana e hepta campeã brasileira, iniciou no esporte aos sete anos. Sua mãe a matriculou, junto a cinco irmãos, no judô da Ilha do Governador, próximo ao Morro do Dendê, como forma de protegê-los da violência local e manter as crianças ocupadas durante o dia. Assim como Rafaela, Jéssica reconhece o papel de inspiração que desempenha. “Quando eu recebo uma mensagem no Instagram dizendo que eu sou uma inspiração ou uma criança dizendo assim: ‘Ah, eu entrei no judô porque eu te vi lutar’. Esses momentos são muito gratificantes, e a gente sabe que serve como inspiração pra nova juventude que tá vindo aí”, compartilhou.

Preconceito e a Força Feminina no Judô

Rafaela Silva relembrou as dificuldades impostas por olhares céticos e a desconfiança que enfrentou, tanto de familiares quanto em competições internacionais, por ser uma mulher no esporte. “Várias tias nossas falavam: ‘Não, mas isso daí é negócio de homem, ficar se agarrando, ficar se batendo lá'”, ilustrou a atleta, apontando para a mudança de percepção de seus parentes ao longo de sua carreira.

Apesar dos obstáculos, o judô feminino brasileiro acumula expressivas conquistas. O judô é o esporte que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil, com 28 pódios. Das cinco medalhas de ouro conquistadas na modalidade, três foram alcançadas por mulheres: Sarah Menezes em 2012, Rafaela Silva em 2016 e Beatriz Souza em 2024. A ex-judoca Mayra Aguiar se destaca como a maior medalhista brasileira da história do esporte, com três bronzes olímpicos em Londres 2012 e Tóquio 2020, um feito que a tornou a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas em esportes individuais, marca agora compartilhada com a ginasta Rebeca Andrade. Rafaela Silva enfatiza que, apesar de percepções antigas, o judô feminino hoje se equipara ao masculino em tempo de luta, premiações e oportunidades.

Avanços Internacionais e Perspectivas Futuras

A Federação Internacional de Judô (IJF) tem desempenhado um papel ativo no fomento da categoria feminina. Em 2017, o campeonato mundial introduziu a competição por equipes mistas, uma modalidade que integra homens das categorias 73 kg, 90 kg e +90 kg com mulheres das categorias 57 kg, 70 kg e +70 kg. Essa inovação substituiu as competições por equipes separadas por gênero, impulsionando nações tradicionalmente fortes no judô, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a investirem na formação e profissionalização de suas atletas femininas.

Com a vista nas Olimpíadas de 2028 em Los Angeles, Rafaela Silva, aos 33 anos, segue ativa e percebe um aumento significativo na participação de mulheres nas competições. A judoca expressou que, por enquanto, não planeja se aposentar, demonstrando seu contínuo compromisso com o esporte e a inspiração de novas atletas.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo

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