O Estreito de Ormuz foi formalmente fechado ao tráfego comercial em 2 de março de 2026, uma medida de retaliação do Irã após a Operação Epic Fury, um ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel ocorrido em 28 de fevereiro do mesmo ano. A ofensiva, que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e atingiu mais de 15 mil alvos militares, desencadeou uma interrupção sem precedentes no fluxo de petróleo. Cerca de 20 milhões de barris por dia, o equivalente a 20% do consumo global, deixaram de transitar pela passagem marítima.
A Agência Internacional de Energia (AIE) descreveu o evento como a “maior interrupção de oferta de petróleo da história do mercado global”. Em apenas duas semanas, até 13 de março, o preço do barril de Brent registrou um aumento de aproximadamente 50%, saindo da faixa de US$ 65 a US$ 70 para US$ 103,14, após ter alcançado US$ 119 em 10 de março de 2026.
A Importância Estratégica do Estreito
Considerado um gargalo crucial para o comércio global, o Estreito de Ormuz possui apenas 40 km em seu ponto mais estreito, com duas faixas navegáveis de 3,2 km cada. Em condições normais, cerca de 40 navios-tanque cruzavam a passagem diariamente. Dados da Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA), atualizados em junho de 2025, indicam que o estreito é responsável por mais de 25% de todo o comércio marítimo global de petróleo e por 20% do comércio mundial de gás natural liquefeito (GNL).
A dependência global é acentuada, com China, Índia, Japão e Coreia do Sul absorvendo, em conjunto, 67% de todo o petróleo que transita por Ormuz. A China, sozinha, representa 37,7% desses fluxos totais. Países como Iraque e Kuwait não possuem rotas alternativas de exportação para seus oleodutos. A capacidade de desvio disponível por meio de oleodutos sauditas e emiradenses para o Mar Vermelho e o Golfo de Omã é limitada, totalizando entre 3,5 e 5,5 milhões de barris por dia no melhor cenário, menos de um terço do fluxo normal.
O Bloqueio e Seus Efeitos Imediatos
Após a declaração formal de um oficial sênior da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) em 2 de março de 2026 de que “o estreito está fechado”, os sistemas AIS registraram a ausência de petroleiros cruzando a passagem à meia-noite. As principais companhias de navegação, como Maersk, Hapag-Lloyd, MSC e CMA CGM, suspenderam todos os trânsitos, resultando em mais de 150 navios ancorados nos dois lados do estreito.
Entre 3 e 14 de março, o Irã realizou ataques a navios utilizando drones, mísseis e minas. Pelo menos 19 embarcações foram atingidas, e o navio Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, foi incendiado, causando a morte de pelo menos oito marinheiros. O United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) registrou 16 ataques e quatro incidentes suspeitos até 12 de março. As consequências se estenderam ao Catar, que declarou força maior em contratos de GNL após drones iranianos atingirem a instalação de Ras Laffan, e ao campo de Rumaila, no Iraque, que iniciou o desligamento de operações em 3 de março.
A AIE estimou uma queda de 8 milhões de barris por dia na oferta global de petróleo em março, com ao menos 10 milhões de barris por dia da produção do Golfo sendo paralisados devido ao esgotamento da capacidade de armazenamento regional.
Projeções de Preços e Resposta Internacional
Antes do conflito, o petróleo Brent operava entre US$ 65 e US$ 70 o barril, com projeções do J.P. Morgan indicando uma média de US$ 60 para 2026. Com a escalada, o Goldman Sachs estimou um prêmio de risco geopolítico de US$ 14 a US$ 18 por barril embutido nos preços atuais. Projeções bancárias variam: o Goldman Sachs (analista Daan Struyven) aponta para Brent a US$ 110 se o bloqueio durar mais cinco semanas, e a US$ 150 se persistir até o fim de março. A analista Natasha Kaneva, do J.P. Morgan, alertou que a capacidade de armazenamento dos países do Golfo se esgotaria em três semanas, podendo levar a cortes de produção e o Brent a US$ 120. A Allianz Research previu preços acima de US$ 130 em caso de ataques à infraestrutura.
Em resposta à crise, a AIE coordenou a maior liberação de reservas estratégicas da história em 11 de março de 2026: 400 milhões de barris foram unanimemente liberados por 32 países-membros, mais que o dobro dos 182,7 milhões liberados durante a crise Rússia-Ucrânia de 2022. Os Estados Unidos contribuíram com 172 milhões de barris e o Japão com 80 milhões. Contudo, a Macquarie calculou que essa quantidade equivaleria a apenas quatro dias de produção global e 16 dias de trânsito pelo Golfo, o que seria insuficiente para cobrir um bloqueio prolongado.
Subestimação por Washington
A CNN revelou em 12 de março de 2026, citando múltiplas fontes oficiais e ex-funcionários, que o Pentágono e o Conselho de Segurança Nacional “subestimaram significativamente a disposição do Irã de fechar o Estreito de Ormuz em resposta a ataques militares americanos”.
