Cuiabá — A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) não destinou qualquer recurso para o meio ambiente em 2025, ano em que o Brasil sediará a COP-30. Levantamento do Portal da Transparência, analisado pelo site eh fonte, mostra que até 15 de outubro nenhuma emenda parlamentar foi paga ou sequer empenhada para ações ambientais no estado que lidera o desmatamento nacional.
O cenário repete a baixa prioridade vista desde 2021. No acumulado de quatro anos (2021-2024), a área ambiental recebeu apenas R$ 582 mil em emendas, último lugar na divisão de recursos. No mesmo período, Esporte e Lazer somaram R$ 17 milhões, enquanto Cultura ficou com R$ 21 milhões.
Trio de deputados foi exceção
Apenas três dos 24 deputados estaduais efetivamente transferiram verbas para a gestão ambiental entre 2021 e 2024:
- Lúdio Cabral (PT): R$ 300 mil;
- Wilson Santos (PSD): R$ 200 mil;
- Beto Dois a Um (PSB): R$ 82,2 mil.
Não há registro de repasses de nenhum outro parlamentar nesse intervalo.
Sema evita comentar baixa execução
Procurada sobre a ausência de recursos, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) não comentou os números. Em nota, limitou-se a citar “parcerias institucionais” com a própria Assembleia e a Embrapa para a revisão da Lei do Pantanal, além de um convênio com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) voltado a estudos sobre manejo de áreas úmidas.
O posicionamento reforçou o alinhamento entre Executivo e Legislativo, mas não explicou por que a pasta tem recebido a menor fatia das emendas, apesar da relevância ambiental do estado e da visibilidade internacional trazida pela Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, prevista para novembro de 2025.
Contraste com o avanço do desmatamento
Mato Grosso mantém a liderança nos índices de desmatamento da Amazônia Legal. Segundo dados anuais do sistema Prodes, o estado registrou a derrubada de mais de 3.400 km² de vegetação nativa em 2024. Especialistas apontam que reforço orçamentário para fiscalização, recuperação de áreas degradadas e promoção de atividades sustentáveis seria essencial para reverter a tendência.
Mesmo assim, a ALMT preferiu direcionar o grosso das emendas para setores culturais e esportivos, decisão que contrasta com o esforço anunciado pelo governo federal de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis e de acelerar a agenda climática antes da COP-30.
Sem previsão de novos aportes, organizações ambientais temem que a lacuna de recursos comprometa metas de redução de emissões e combate a queimadas no Pantanal e na Amazônia mato-grossense nos próximos anos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
