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Post de aliado atribui fim da guerra em Gaza a Lula

Brasília — Uma publicação do vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT) no X/Twitter, em 14 de outubro de 2025, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o responsável direto por encerrar a guerra na Faixa de Gaza. A postagem rapidamente alcançou grande repercussão na rede social, mas recebeu o selo de informação enganosa por meio do sistema comunitário de checagem da plataforma.

No texto, Rousseff escreveu: “Quem ACABOU com a GUERRA em Gaza chama-se LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA! Trump AJUDOU a financiar a GUERRA = Lula FEZ O ACORDO pela PAZ!” O vereador também defendeu que recursos internacionais deveriam ser direcionados a programas de combate à fome em vez de armamentos.

Usuários do X/Twitter ativaram o recurso de notas de contexto, ferramenta que permite adicionar correções baseadas em fontes públicas. As intervenções apontam que não há registro oficial de participação decisiva do governo brasileiro nas negociações de cessar-fogo entre Israel e grupos palestinos, nem reconhecimento internacional de que Lula tenha conduzido qualquer acordo de paz.

Reconhecimento diplomático aponta para Donald Trump

Diferentemente do que sugere a publicação, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump é citado por autoridades de Israel, Egito, Catar e demais partes envolvidas como principal mediador das tratativas que resultaram no acordo anunciado no início de outubro de 2025. O entendimento prevê cessar-fogo, liberação de reféns e início de um plano de reconstrução para a Faixa de Gaza, devastada desde o início dos confrontos em 2023.

Não há manifestações de governos estrangeiros, organismos multilaterais ou mesmo documentos da ONU que atribuam protagonismo ao Palácio do Planalto no processo. Fontes diplomáticas consultadas por agências internacionais confirmaram que a chancelaria brasileira foi mantida informada, mas não participou das rodadas finais de negociação.

Reação nas redes e checagem de fatos

Após a circulação do post, perfis de diferentes espectros políticos contestaram a afirmação do vereador. O alerta de conteúdo enganoso, aplicado pelo sistema de verificação comunitária, insere abaixo da publicação links de veículos de imprensa estrangeiros que detalham o papel do governo norte-americano nas conversas com as partes envolvidas.

Pedro Rousseff, filiado ao PT desde 2010 e eleito vereador em 2020, já utilizou as redes para defender pautas alinhadas ao governo federal. Até a tarde desta quarta-feira (15), o parlamentar mantinha a publicação original, apesar das correções públicas.

Procurada, a assessoria do Itamaraty reforçou que o Brasil apoia “todas as iniciativas de paz” no Oriente Médio, mas não reivindica autoria sobre os termos do acordo vigente. A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília reiterou, em nota, que o diálogo conduzido pela Casa Branca envolveu “consultas constantes” com aliados regionais para viabilizar o cessar-fogo.

O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, após ataques coordenados do Hamas contra cidades israelenses. A ofensiva resultou em milhares de mortos e deslocados, provocando escalada militar que se estendeu por quase dois anos.

Até o momento, não há indicação de que a plataforma X/Twitter remova a publicação do vereador, mas o aviso de contexto permanece visível para qualquer usuário que visualize o post.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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