Marcos Cintra afirmou que diversos agentes políticos “ganharam com a desgraça dos Bolsonaros”, mas advertiu que a “lei do retorno” poderá atingir quem apostou no enfraquecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sua família. A declaração foi feita logo após a decisão de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, de revogar a aplicação da Lei Magnitsky em um caso específico, movimento que, segundo Cintra, expõe o risco de consequências futuras para quem utiliza sanções ou pressões judiciais como instrumento de disputa de poder.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Cintra destacou que “quando o vento muda, todos colhem o que plantaram”, numa referência direta às ações que, na visão dele, teriam sido conduzidas para minar a influência política do clã Bolsonaro. O economista não citou nomes, mas apontou que partidos, instituições e lideranças “surfaram” na onda de denúncias e processos envolvendo o ex-mandatário brasileiro.
Trump revoga Magnitsky em caso pontual
A fala de Cintra foi motivada pela decisão de Donald Trump de suspender a aplicação da Lei Magnitsky, legislação norte-americana que permite a imposição de sanções a pessoas acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. A revogação ocorreu em relação a um processo específico, mas foi suficiente para reacender a discussão sobre o uso político de medidas restritivas — tema que ganhou força no Brasil durante o avanço das investigações contra Jair Bolsonaro.
Para Cintra, o recuo de Trump sinaliza que “instrumentos usados contra adversários podem voltar-se contra seus autores”. Ele sugeriu que setores que hoje comemoram decisões judiciais desfavoráveis à família Bolsonaro podem, no futuro, enfrentar cenário semelhante.
Repercussão dentro e fora do Brasil
As declarações do economista repercutiram rapidamente entre aliados do ex-presidente. Parlamentares ligados ao bolsonarismo compartilharam a mensagem, afirmando que a fala confirma a percepção de “perseguição” contra o grupo. Já críticos do ex-chefe do Executivo classificaram o comentário como tentativa de descredibilizar investigações legítimas.
No plano internacional, a revogação parcial da Lei Magnitsky por Trump levantou questionamentos sobre a permanência de sanções aplicadas durante seu mandato. Analistas apontam que a medida pode abrir espaço para revisões em outros casos, embora não haja sinalização de mudanças amplas no curto prazo.
Sem entrar no mérito jurídico, Cintra concluiu que a política “não tolera vácuos” e que cada ator “arcará com o peso de suas escolhas”. Ele reforçou que o episódio serve de alerta para quem, segundo suas palavras, “transforma diferenças políticas em inimizade absoluta”.
Até o momento, Jair Bolsonaro não se pronunciou sobre a avaliação de Cintra nem sobre a decisão de Trump envolvendo a Lei Magnitsky.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
