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Conselho de Cultura de Goiânia critica Netflix por gravar série sobre Césio-137 em São Paulo

O Conselho Municipal de Cultura de Goiânia divulgou uma carta aberta em que manifesta “profunda insatisfação” com a decisão da Netflix de realizar a maior parte das filmagens da série brasileira Emergência Radioativa na cidade de São Paulo. A produção dramatiza o acidente com o Césio-137, ocorrido em 1987 na capital goiana, considerado o mais grave episódio radiológico fora de usinas nucleares.

No documento, o órgão afirma que registrar a história longe do local onde ela aconteceu “retira a verdade mais profunda: a memória do povo que a viveu”. Segundo o Conselho, a escolha invisibiliza a cidade e ignora a marca que o desastre deixou na identidade dos moradores.

Reivindicação por filmagens em Goiânia

A carta sustenta que Goiânia dispõe de infraestrutura, profissionais qualificados e locações autênticas para receber projetos audiovisuais de grande porte. Para a entidade, levar a produção à capital goiana significaria “fazer justiça à nossa história”, além de gerar empregos, impulsionar a economia local e ampliar a representatividade cultural.

O texto encerra com um apelo para que a plataforma de streaming e a produtora Gullane, responsável pelo projeto, revejam a decisão. “Pedimos à Netflix e à produção que deem a Goiânia o espaço que lhe é de direito. Contem essa história aqui, onde ela nasceu e onde ainda pulsa”, diz o Conselho.

O acidente de 1987

Em setembro de 1987, a abertura de um equipamento de radioterapia abandonado em um ferro-velho espalhou 19 gramas de Césio-137 pela capital goiana. A contaminação resultou em quatro mortes confirmadas e expôs mais de mil pessoas à radiação, obrigando autoridades a isolar áreas inteiras da cidade e desencadeando um dos maiores protocolos de emergência já registrados no país.

Detalhes da série

Criada por Gustavo Lipsztein e dirigida por Fernando Coimbra, Emergência Radioativa acompanha médicos, físicos e equipes de socorro durante a corrida para salvar vidas após a descoberta do material radioativo. O elenco principal traz Johnny Massaro, Paulo Gorgulho e Tuca Andrada. As gravações tiveram início em junho, com a maior parte das cenas planejadas para São Paulo.

Consultadas pela reportagem, a Netflix e a Gullane não se pronunciaram até o momento sobre a cobrança do Conselho de Cultura de Goiânia nem sobre a possibilidade de alterar o cronograma de filmagens.

Ainda não há data de lançamento definida para a série.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles

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