São Paulo – O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, 64 anos, foi morto a tiros na noite de segunda-feira (16/9) na Praia Grande, litoral sul paulista. Imagens de câmeras de segurança mostram que os assassinos, a bordo de uma Toyota Hilux preta, aguardaram a vítima por cerca de 14 minutos na Rua Arnaldo Vitulli, com os faróis apagados.
Às 18h16, o Fiat Argo conduzido pelo ex-delegado apareceu na via. No momento em que o carro ultrapassou a Hilux, os criminosos acenderam os faróis e iniciaram uma rajada contínua de disparos. Um dos tiros estilhaçou o vidro do lado do motorista enquanto Ruy fazia a curva para a Rua 1º de Janeiro, dando início a uma perseguição que se estenderia por aproximadamente 2,5 quilômetros.
Durante o trajeto até a Avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, o grupo manteve o fogo contra o veículo de Ruy. Um casal que conversava em frente à residência de familiares foi atingido de raspão. As duas vítimas sofreram ferimentos leves, foram levadas ao Hospital Irmão Dulce e passaram por exames residuográficos.
Na avenida, o Fiat Argo colidiu contra dois ônibus e capotou. Em seguida, três homens armados e vestidos com coletes balísticos desembarcaram da Hilux, cercaram o carro tombado e executaram o ex-delegado com vários disparos. A pistola Glock 9 mm que pertencia a Ruy permaneceu dentro de uma bolsa, sem ser utilizada.
Após o homicídio, os atiradores retornaram à Hilux e fugiram em alta velocidade. O veículo foi encontrado incendiado cerca de dois quilômetros adiante, na Avenida Casemiro Domcev. Dentro da picape, policiais localizaram uma arma de fogo.
Investigadores apuraram que os criminosos abandonaram a Hilux e seguiram em um Jeep Renegade roubado, localizado com o motor ligado na Rua Gilberto Lopes, a 800 metros do local onde a picape foi queimada. Perto do Renegade, agentes recolheram um carregador de fuzil, outro de pistola e cápsulas deflagradas. Ambos os carros usados na ação haviam sido roubados na capital paulista.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, um suspeito foi identificado, mas não havia prisões até o fechamento desta reportagem. Todos os executores agiram encapuzados, de forma tática e organizada.
Histórico de ameaças
Especialista no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Ruy Ferraz Fontes atuou 40 anos na Polícia Civil e chefiou a corporação entre março de 2019 e abril de 2022. Em 2019, passou a ser alvo de ameaça de morte do líder da facção, Marco William Herbas Camacho, o Marcola, após a transferência do criminoso para o sistema penitenciário federal.
Desde janeiro de 2023, Ruy ocupava o cargo de secretário de Administração de Praia Grande. O corpo está sendo velado nesta terça-feira (17/9) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O sepultamento está marcado para as 16h no Cemitério da Paz, no bairro Morumbi, na zona sul da capital. A saída do cortejo da Alesp está prevista para as 15h.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
