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Déficit de armazenagem em MT ultrapassa 45 milhões t

O setor agrícola de Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta um descompasso cada vez maior entre a produção nas lavouras e a capacidade de estocar a safra. Dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) indicam que o déficit de armazenagem no estado passou de 45 milhões de toneladas em 2025.

Apesar de liderar tanto a produção quanto a infraestrutura de estocagem no país, o ritmo de construção de armazéns não acompanha a evolução das safras. Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, nos últimos cinco anos, a capacidade de armazenagem cresceu apenas 2,58%, enquanto a produção de grãos avançou 6,26% no mesmo período.

Com espaço insuficiente, produtores recorrem cada vez mais às chamadas silo-bolsas — estruturas plásticas instaladas a céu aberto que funcionam como armazenamento temporário. A medida, porém, expõe os grãos a variações climáticas e pode reduzir a qualidade do produto, além de forçar vendas rápidas para liberar áreas de estocagem improvisada.

Essa necessidade de comercialização antecipada diminui o poder de negociação dos agricultores, que precisam aceitar preços menores para escoar a produção. O gargalo também pressiona a logística: com menos grãos estocados no campo, cresce a demanda imediata por transporte rodoviário e ferroviário, elevando custos de frete e gerando filas em terminais portuários.

A safra 2024/2025 no estado deve superar 100 milhões de toneladas, segundo projeções da Conab. Se o ritmo atual de expansão de armazéns não acelerar, a diferença entre o que Mato Grosso colhe e o que consegue guardar tende a aumentar nos próximos anos.

Produtores e entidades do setor cobram a adoção de incentivos tributários, linhas de crédito específicas e maior agilidade na liberação de licenças para novas unidades de estocagem. Para a Aprosoja-MT, ampliar a capacidade de armazenagem é essencial para reduzir perdas, melhorar a gestão da comercialização e fortalecer a competitividade do agronegócio estadual no mercado internacional.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Folha de S.Paulo

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