Uma análise publicada nesta semana aponta que plataformas digitais como Uber, iFood e YouTube vêm suprindo lacunas históricas deixadas pelo poder público no Brasil. O levantamento destaca que esses serviços, criados e operados por empresas bilionárias, passaram a oferecer emprego, renda e acesso a conhecimento para milhões de brasileiros, sobretudo jovens das periferias.
Empregos nas entregas
De acordo com os dados citados na análise, mais de 1 milhão de brasileiros atuam hoje no segmento de entregas por aplicativo. A maioria desses trabalhadores é formada por jovens, negros e moradores de áreas vulneráveis, que veem na atividade uma chance de afastar-se da criminalidade ou de romper ciclos de desemprego prolongado. Aplicativos como Uber e iFood são apontados como principais portas de entrada para esse mercado.
O texto observa que a expansão das entregas ocorreu em um cenário de alta de desemprego e de ausência de políticas eficientes voltadas à juventude. Com a demanda crescente por serviços de delivery, especialmente após a pandemia, motociclistas e ciclistas encontraram nessas plataformas uma alternativa rápida para gerar renda.
Educação informal no YouTube
A análise também destaca o papel do YouTube na educação. A plataforma de vídeos é descrita como o maior centro de ensino informal do país, graças ao acesso gratuito e imediato. Segundo o material, a procura por tutoriais, aulas e cursos no site aumenta em meio a problemas estruturais nas escolas públicas e à interrupção de programas federais a cada troca de governo.
Para pesquisadores citados na matéria, o uso do YouTube como ferramenta educacional reflete a busca da população por soluções práticas diante da precariedade do sistema oficial. Estudantes e profissionais acessam desde conteúdos de reforço escolar até cursos completos de programação, muitas vezes como complemento ao ensino formal ou, em alguns casos, como única fonte de aprendizado.
Lacunas do poder público
A investigação jornalística ressalta que a confiança da população nas plataformas privadas cresce à medida que se percebe a capacidade dessas empresas de atender demandas básicas. Ao mesmo tempo, a descrença nos agentes públicos aumenta diante de ministérios inchados, programas interrompidos e alta carga tributária.
Especialistas ouvidos reforçam que o fenômeno não significa defesa de substituição total do Estado, mas sim um indicativo de que o vácuo deixado pelo poder público acaba sendo preenchido por soluções de mercado. A tendência, segundo a análise, é que a sociedade continue recorrendo a esses “atalhos” privados enquanto não houver políticas consistentes de emprego, renda e educação.
O documento conclui que o brasileiro médio busca, sobretudo, serviços que funcionem de forma eficaz, independentemente de serem oferecidos por governos ou empresas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
