A Lei nº 14.724/2023, que promete reduzir as filas da perícia médica no INSS, trouxe novidades que parecem revolucionar o sistema, mas também levantam dúvidas importantes: como essas mudanças impactarão a vida dos segurados?
Você já enfrentou meses de espera por uma perícia médica, sem saber como pagar as contas ou sustentar sua família enquanto o benefício não sai? Essa é a realidade de milhares de brasileiros, que agora encaram uma novidade: a TELEPERÍCIA MÉDICA. Será que essa solução vai facilitar a vida do segurado? Ou será mais um obstáculo no caminho?
O que é a teleperícia? A teleperícia é uma avaliação médica feita à distância, por meio de vídeo, em vez da tradicional consulta presencial. A proposta parece boa: evitar deslocamentos, acelerar processos e atender pessoas que vivem em regiões afastadas, onde faltam peritos – como em Alta Floresta, que conta com apenas um profissional. No papel, tudo soa promissor.
Mas, na prática, o segurado ainda precisa se dirigir a uma agência do INSS para realizar a consulta, já que a tecnologia necessária nem sempre está ao alcance de quem mais precisa.
Os desafios por trás da tecnologia Não dá para negar que a teleperícia traz vantagens: filas menores, processos mais rápidos e menos deslocamentos. Mas também há riscos que não podem ser ignorados.
A análise médica à distância pode deixar passar sinais sutis de incapacidade, o que aumenta o risco de decisões equivocadas. Quem já passou por uma perícia sabe que ser visto e ouvido pelo perito é essencial para demonstrar a real condição de saúde. Será que uma câmera consegue captar tudo o que o segurado enfrenta?
E mais mudanças à vista Como se as filas do INSS não fossem um problema suficiente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou a utilização de teleperícias médicas e laudos eletrônicos em processos judiciais relacionados ao INSS.
A ideia é acelerar julgamentos e desafogar o sistema.
Escolha do segurado e do advogado!
Aqui está uma questão importante: por que o segurado não pode escolher entre uma teleperícia e uma perícia presencial? É verdade que esperar mais pode ser desgastante, mas em casos complexos, onde sinais de incapacidade são mais difíceis de avaliar, uma consulta presencial pode fazer toda a diferença.
Uma solução para todos A teleperícia tem potencial para transformar o atendimento do INSS e reduzir o sofrimento de quem aguarda por meses. Mas ela não pode ser uma solução genérica ou imposta. Deve ser adaptada à realidade de cada segurado. Sem inclusão digital e suporte individualizado, essa novidade corre o risco de se tornar apenas mais uma barreira.
No final, a pergunta que fica é: a teleperícia foi criada para ajudar quem mais precisa ou será apenas mais uma tentativa de cortar custos às custas do segurado?
