O agropecuarista Thiago Boava, pré-candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL), tem atuado nos bastidores de Mato Grosso para fortalecer a pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás, contrariando a orientação de sua própria sigla, que apoia o senador Wellington Fagundes. A movimentação expõe um racha interno no PL e coloca Boava no centro de críticas de correligionários, que o acusam de “infidelidade” e “conspiração”.
Boava, viúvo da ex-deputada federal Amália Barros, falecida em 2024, percorre o estado em agendas políticas visando consolidar sua candidatura à Câmara. Durante essas viagens, segundo lideranças partidárias, ele tem manifestado abertamente apoio a Pivetta, que assumirá o governo em abril, quando o governador Mauro Mendes se licencia para tratar de assuntos pessoais. Com o aval de Mendes, o vice pretende disputar a reeleição em outubro de 2026.
No PL, Wellington Fagundes já foi lançado como pré-candidato ao governo e aparece na dianteira das pesquisas de intenção de voto. A adesão de Boava ao projeto de Pivetta, portanto, é vista como afronta direta à estratégia partidária. “Ele age como adversário dentro de casa”, resumiu um dirigente liberal, sob reserva, classificando a postura do produtor rural como “conspiração explícita”.
Fontes relatam que o alinhamento entre Boava e Pivetta se intensificou nos últimos meses. Reuniões reservadas teriam ocorrido em fazendas na região médio-norte e em Cuiabá, onde o vice-governador busca ampliar sua base entre líderes do agronegócio. O setor é considerado decisivo para o pleito estadual, e Boava, figura conhecida no mercado de grãos e pecuária, seria um cabo eleitoral estratégico.
Além da proximidade política, interlocutores apontam afinidade pessoal entre ambos. Pivetta tem histórico de atuação no agronegócio e pretende usar esse perfil para contrapor o discurso de Fagundes, senador de trajetória legislativa, mas com menor inserção no campo produtivo. Nesse cenário, Boava estaria articulando encontros com sindicatos rurais e associações de produtores para apresentar o vice-governador como “a continuidade segura” da gestão Mauro Mendes.
O gesto, porém, provoca reação. Dirigentes do PL avaliam convocar Boava para prestar esclarecimentos formais. Dependendo da gravidade, não descartam aplicar sanções previstas no estatuto, que incluem advertência, suspensão ou até expulsão em casos de infidelidade partidária comprovada. A direção estadual, entretanto, ainda não oficializou medida, aguardando definição do cenário até o início das convenções.
Procurado, Boava não se pronunciou sobre as críticas. Assessores de Pivetta afirmam que o vice-governador “recebe apoio de diversos segmentos” e que “o palanque está aberto a todos os mato-grossenses”. Já a equipe de Wellington Fagundes preferiu não comentar.
Enquanto a divergência se amplia, lideranças locais acompanham os desdobramentos para medir o impacto eleitoral. A avaliação é de que a exposição pública do racha pode favorecer adversários da base governista ou estimular novas alianças de ocasião, comuns em anos eleitorais no estado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
