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Estagiários do TJMT ameaçam greve por bolsa congelada

Estudantes que atuam como estagiários no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anunciaram indicativo de greve após denunciarem desvalorização profissional, atividades fora da natureza pedagógica e congelamento da bolsa-auxílio em R$ 1.517,80 desde o fim de 2023.

A insatisfação veio a público em vídeo divulgado pelo presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues dos Santos. Segundo o dirigente, o sindicato recebeu um dossiê elaborado pelos próprios estagiários relatando sobrecarga de tarefas e remuneração defasada. Apesar de o material não ter assinaturas individuais, o Sinjusmat tenta contato com representantes do grupo para articular ações conjuntas.

Atuação além do aprendizado

De acordo com a denúncia, os estudantes estariam executando funções típicas de servidores efetivos. O documento aponta que os estagiários são cadastrados no sistema Processo Judicial Eletrônico (PJe) com perfis que permitem acesso irrestrito aos autos, elaboração e assinatura eletrônica de documentos oficiais. Para o Sinjusmat, essa prática contraria a finalidade pedagógica do estágio e caracteriza uso de mão de obra barata para suprir déficit de pessoal.

Os relatos indicam que a situação se repete em várias unidades judiciais do Estado. Além de questionar a legalidade dos atos processuais, o sindicato afirma que já levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), argumentando que o estágio, nessas condições, fere o caráter educativo previsto em lei.

Reajuste reivindicado

Em nota, os estagiários destacam que a bolsa permanece congelada apesar da inflação acumulada e do aumento no custo de vida. Para efeito de comparação, eles citam o Ministério Público, que reajustou a remuneração de seus estagiários mesmo com jornada de cinco horas diárias—mesma carga horária cumprida no Judiciário.

Os estudantes alegam que participam de todas as rotinas das comarcas, juizados especiais e do próprio TJMT, contribuindo diretamente para a celeridade dos processos. Contudo, afirmam enfrentar “contínua desvalorização financeira”, o que compromete a permanência de muitos no programa.

Diante do impasse, o grupo exige atualização imediata do valor pago, em linha com outros órgãos públicos. Caso a administração do TJMT não apresente uma resposta concreta, a categoria pretende paralisar as atividades coletivamente.

Convite à mobilização geral

A possível greve dos estagiários ocorre paralelamente à mobilização dos servidores do Judiciário estadual, também organizada pelo Sinjusmat. O movimento ganhou força após o governador Mauro Mendes (União Brasil) vetar o reajuste de 6,8% aprovado pela Assembleia Legislativa ao funcionalismo do Tribunal.

No vídeo, Rosenwal convidou os estudantes a aderirem à paralisação marcada para 21 de janeiro de 2026. “Se vocês quiserem vir nessa empreitada, estaremos ao lado de vocês”, declarou o sindicalista, ao citar falta de dignidade e valorização dos trabalhadores.

Até o momento, o TJMT não se manifestou publicamente sobre as reivindicações.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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