O jornalista e comentarista político Octavio Guedes, da GloboNews, condenou a decisão de um magistrado que determinou a guarda de materiais apreendidos pela Polícia Federal (PF) nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF). Em intervenções nas redes sociais e durante participação no programa Estúdio i, em 14 de janeiro de 2026, Guedes afirmou que a corporação “não pode virar flanelinha de carro”, expressão usada para criticar o papel meramente custodial atribuído à PF.
Para o comentarista, quando os itens recolhidos — computadores, celulares ou documentos impressos — são deslocados para outro órgão sem acesso direto dos policiais, perde-se o controle técnico sobre os dados. “A PF ficaria apenas vigiando o carro, enquanto o Ministério Público ou o STF guardariam o que há de mais sensível na investigação”, disse, defendendo a autonomia operacional da força federal.
Guedes citou o receio interno da PF de que arquivos armazenados em servidores ou dispositivos eletrônicos possam ser alterados ou eliminados remotamente caso não permaneçam sob supervisão direta da equipe de peritos. Segundo ele, a decisão abre brecha para questionamentos sobre a integridade da cadeia de custódia — etapa fundamental para garantir a validade de provas em ações penais.
O comentário foi feito no contexto de uma ordem judicial recente, cujo conteúdo não teve detalhes tornados públicos, mas que envolveu a apreensão de equipamentos durante operação de busca e apreensão coordenada pela Polícia Federal. O magistrado responsável determinou que os bens fossem enviados à sede do STF logo após a coleta.
No estúdio da emissora, Guedes reforçou que a PF é o órgão “constitucionalmente habilitado” para conduzir investigações criminais e realizar perícias, e que afastá-la dos materiais pode gerar impacto direto na qualidade da investigação. “Se a polícia não pode manusear as evidências, como vai responder por elas no processo?”, questionou.
O comentarista também ponderou que a medida amplia a dependência da corporação em relação a outras instituições. “Em vez de atuar, a PF passa a vigiar. Isso não faz sentido em um modelo de segurança pública que busca eficiência”, completou.
Até o momento, nem o Supremo Tribunal Federal nem a Polícia Federal divulgaram notas oficiais sobre a crítica. Nos bastidores, porém, integrantes da PF teriam manifestado preocupação semelhante à apontada por Guedes, alegando que a transferência de custódia dificulta o trabalho de cruzamento de dados e a elaboração de laudos periciais.
A decisão que levou ao deslocamento dos objetos apreendidos ainda pode ser alvo de recursos por parte da defesa dos investigados ou do Ministério Público. Caso isso ocorra, o Supremo terá de decidir se a guarda dos materiais permanecerá na sua sede ou se retornará à Polícia Federal.
Embora a crítica tenha ganhado repercussão imediata nas redes sociais, Guedes enfatizou que sua preocupação é estritamente técnica e não político-partidária. “Prova é prova, precisa ser preservada. Se a gente abre mão desse princípio, comprometemos todo o processo”, concluiu o jornalista.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
