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Idosa de 71 anos vem a óbito ao ter aparelhos desligados dentro de UTI móvel durante translado

O que era para ser uma simples transferência entre dois hospitais de Cuiabá acabou se tornando uma tragédia familiar.

O fato ocorreu no dia 31 de Janeiro, na capital de Mato Grosso, e quanto mais os familiares se aprofundam nas informações médicas, mais evidências surgem para corroborar com um possível caso de negligência médica.

A senhora D.A.P.P, de 71 anos, moradora de Cuiabá foi atendida na noite de 30 de Janeiro, no Hospital São Judas Tadeu, com um quadro de dispnéia e mal estar que acabou se agravando na madrugada do dia 31 de Janeiro, aonde foi estabilizada pela equipe de plantão. Após a estabilização, foi solicitada a sua transferência para a UTI do Hospital H Bento, aonde receberia maiores cuidados por se tratar de estado grave. Ambulância foi paga de forma particular pela família.

Ao chegar ao hospital de destino, a médica plantonista que recepcionou a paciente, Dra. Ligia Orro Arabi, percebeu que a equipe de ambulância de UTI móvel da empresa Maranata Med, havia chegado com os aparelhos de sustentação e medicação desligados e desconectados antes mesmo de chegarem e repassarem a paciente a unidade hospitalar. Entretanto a paciente seria conduzida a direta para a UTI, 3º andar daquele hospital.

No prontuário de internação da paciente, a médica Ligia Orro Arabi foi categórica em confirmar imperícias presenciadas no momento que a paciente chegou na ambulância, e que ao indagar os enfermeiros, os mesmos declararam que o desligamento dos aparelhos foi autorizado pelo médico responsável pelo transporte, Dr. João Paulo Garcia, da Maranata Med , que consentiu a desconexão  das bombas de infusão em que estava o medicação de sustentação de vida da paciente.

O laudo do prontuário médico, assinado pela enfermeira Fernanda Donizetti Bastos, também confirma que todas as conexões com as bombas  de alta vazão foram desconectadas dentro da ambulância, segundo relatos dos próprios enfermeiros da equipe de transporte, da empresa Maranata Med.

No texto técnico transcrito no documento de “evolução da paciente”,  atesta que a paciente “chegou cianótica na unidade, com extremidades frias, pupilas médio-fixas e já sem pulso”, sendo prontamente submetida a manobra de RPC (Ressuscitação cardío-pulmonar), mesmo após 5 ciclos de manobras de retorno da circulação espontânea, a paciente não respondeu aos estímulos, tendo seu óbito declarado às 02:22hs, da madrugada de 31/01.

Segundo relatos da equipe que recebeu a paciente, o médico responsável que autorizou o desligamento dos aparelhos, não quis fornecer o CRM, como é de praxe, após a entrega no hospital.

Família contesta forma como idosa foi transportada

Para os familiares da idosa, há fortes indícios de imperícia médica por parte do responsável médico da UTI móvel e diante do testemunho e relato clínico da médica plantonista do Hospital H-Bento que recebeu a paciente, segundo o prontuário, já sem sinais vitais, sendo necessárias cinco tentativas de ressuscitação.

O que dizem os citados

Tentamos contato com o diretor da empresa responsável pelo translado da paciente, Maranata Med, Gutemberg Rodrigues, porém, até a publicação dessa reportagem não fomos respondidos.

Também tentamos contato como médico responsável pela equipe de UTI móvel, João Paulo Garcia, que presta serviços a empresa Maranata Med e não fomos respondidos até a publicação.

A médica Ligia Orro Arabi, que recebeu a paciente no Hospital H-Bento, preferiu não se pronunciar contra o colega de profissão em razão de preservar a ética profissional, mas, confirmou taxativamente todas as informações atestadas no prontuário médico assinado por ela e pela enfermeira, Fernanda Donizetti Bastos.

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