O deputado federal Juarez Costa (Republicanos) rebateu as acusações que o apontam como beneficiário de um suposto esquema de propina de R$ 30 milhões . Os repasses teriam sido feitos pela Aegea, maior concessionária privada de saneamento básico do país, durante e após o período em que ele comandava a Prefeitura de Sinop (a 481 km de Cuiabá), Norte de Mato Grosso. Sem citar nomes, ele afirmou que é vítima de “perseguição política” requentada e orquestrada por inimigos políticos.
Visivelmente contrariado, Juarez destacou que o assunto volta ao debate público pela quinta vez consecutiva, repetindo um padrão que, segundo ele, ocorre rigorosamente às vésperas de períodos eleitorais. O deputado relembrou o histórico de embates na região e afirmou que a origem do desgaste remonta a operações policiais anteriores na cidade, as quais classificou como ações encomendadas por adversários.
” Pela quinta vez eu vou falar do mesmo assunto e sempre em véspera de eleição. Bom, em 2014 nós tivemos uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em Sinop, encomendada e todos sabem disso (…) inclusive teve a delação do cabo da Polícia Militar que fazia a operação da Grampolândia na época, que me grampeou por muito tempo “, disparou o parlamentar.
Segundo a denúncia, cinco executivos da Aegea firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) entre 2020 e 2021, homologados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025. Os delatores, incluindo o ex-presidente Hamilton Amadeo e o ex-diretor administrativo Felipe Ferraz, detalharam práticas de “caixa 2″, entregas de maços de dinheiro em espécie e simulação de compras de combustíveis em postos indicados para quitar dívidas de campanha de Juarez.
Ao detalhar o processo de privatização do saneamento da cidade, contudo, o deputado sustentou que a transição para a iniciativa privada seguiu ritos rigorosos de fiscalização. Ele argumentou que o descontentamento popular que serviu de combustível para a oposição não decorreu de fraudes, mas sim da implementação de hidrômetros, que alteraram a forma de cobrança da população.
” Nós fizemos um processo de concessão da água de Sinop totalmente transparente. Nós fizemos com três audiências públicas, chamamento público para que todos comparecessem e participassem (…) e, é claro, que quem pagava uma taxa mínima de R$ 15 e passou a pagar pelo consumo, é claro que subiu. Então, começaram as reclamações sobre o valor da água “, explicou.
Segundo o deputado, a insatisfação social provocada pelo fim da taxa fixa foi capitalizada politicamente em todas as suas disputas eleitorais seguintes, sendo as campanhas de 2016, 2018, 2020 e 2022. ” Novamente, 14 anos depois, estou aqui respondendo o mesmo assunto “.
A delação aponta que Juarez teria solicitado pessoalmente uma BMW no valor de R$ 330 mil em 2014 em troca de alterações em leis e regras contratuais para beneficiar a empresa. Os depoimentos também citam repasses inflados por meio da empresa RJD Construções e entregas de R$ 1,2 milhão em Balneário Camboriú (SC), onde o deputado foi alvo da Operação Sorrelfa em 2016.
Juarez usou de ironia para desqualificar as acusações e o suposto pedido do automóvel de luxo. ” Bom, mas quem recebe R$ 30 milhões vai se preocupar com a BMW? Dá para comprar quantas? Nós estamos falando de 14 anos atrás. R$ 30 milhões dá para comprar dois sistemas de água e esgoto de Sinop. Eu vou pedir R$ 30 milhões mais uma BMW? Eu tive oito. Será que é uma dessas oito? “, ironizou.
O parlamentar assegurou que sua assessoria jurídica ainda não obteve acesso integral aos autos que tramitam na capital federal, uma vez que o procedimento corre sob estrito segredo de Justiça.
Ele questionou o vazamento das informações para os veículos de imprensa antes que a própria defesa técnica pudesse analisar o conteúdo da investigação. Dos executivos citados, ele afirmou conhecer apenas o responsável que esteve em Sinop para assinar o contrato de concessão à época.
Juarez Costa defendeu a lisura de suas campanhas, afirmando que todas as contas de seus oito mandatos eletivos foram integralmente aprovadas pela Justiça Eleitoral. O parlamentar associou as denúncias ao incômodo gerado por seu desempenho na liberação de emendas parlamentares para o interior de Mato Grosso, totalizando R$ 2,3 bilhões captados junto aos ministérios.
” Na política existe muito disso. Quem não faz nada, leva porrada porque não faz nada. Agora, quem é bom como eu sou, e estou falando que eu sou bom (…) O deputado que mais entregou na história total do estado de Mato Grosso. E isso incomoda muita gente. Eu sou um cara de resultado, de entrega, de trabalho “, concluiu.
Os executivos confessaram que a empresa pagou, ao todo, R$ 63 milhões em propina entre 2010 e 2018, em 20 municípios de seis estados. Hamilton Amadeo, ex-presidente da Aegea, relatou que autorizou pagamentos que somam R$ 30 milhões a Juarez Costa ao longo dos anos, estendendo-se até 2018. Segundo o executivo, os valores seriam destinados ao pagamento de dívidas de campanha.
Hamilton disse que Juarez pediu uma BMW a Amadeo como parte da propina, em 2014. O ex-presidente da Aegea providenciou a compra do veículo e, em troca, o então prefeito teria alterado regras e criado leis que beneficiariam a empresa em Sinop.
Já o ex-diretor financeiro da Aegea, Flávio Crivellari, detalhou a aquisição e afirmou que o carro custou R$ 330 mil à época. O ex-diretor administrativo Felipe Bueno Marcondes Ferraz, o ex-responsável comercial Mário Roberto Amorim Baltar e a ex-gerente técnica Fernanda Bassanesi também apontaram o deputado como destinatário de propina paga pela Aegea.
Ferraz disse que operou o “caixa 2” de Juarez Costa a partir de 2015. Segundo ele, o então prefeito utilizava três emissários para retirar dinheiro em espécie na sede da Aegea, em São Paulo.
Ainda de acordo com Ferraz, também havia entregas em Cuiabá e em Santa Catarina. Ele relatou que R$ 1,2 milhão em maços de dinheiro teriam sido entregues em um endereço em Balneário Camboriú.
Em setembro de 2016, Juarez Costa foi alvo de mandado de busca na Operação Sorrelfa, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para investigar um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Três mandados foram cumpridos em Santa Catarina.
Três dias após a operação, a imprensa publicou que os investigadores tinham imagens da empresa RJD Construções sendo utilizada para pagar despesas do então prefeito em Balneário Camboriú.
A empresa prestava serviços à Aegea, que atendia a Prefeitura de Sinop. As informações coincidem com o depoimento de Felipe Ferraz, que afirmou que a Aegea pagava à RJD Construções por serviços com sobrepreço de 20% e que esse percentual incluía valores destinados a Juarez Costa.
Mário Baltar disse que era interlocutor direto de Juarez Costa em Sinop e, segundo seu depoimento, entre 2013 e 2014 recebeu pedidos que somaram exatamente R$ 3.083.275 para despesas de campanha. Para efetuar os repasses, a Aegea teria simulado compras de combustíveis em postos da cidade indicados pelo então prefeito.
Os depósitos teriam sido feitos para quatro postos, em transferências realizadas por duas empresas do grupo: Águas de Guariroba e Nascentes do Xingu. Para efetuar os repasses, a Aegea teria simulado compras de combustíveis em postos da cidade indicados pelo então prefeito. Os depósitos teriam sido feitos para quatro postos, em transferências realizadas por duas empresas do grupo: Águas de Guariroba e Nascentes do Xingu.
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Créditos da imagem: juarez costa
