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Ex-chefe da Polícia Civil de SP passou por altos e baixos antes de ser executado no litoral

São Paulo – Assassinado na segunda-feira (15/9) em Praia Grande, o delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes, 64 anos, acumulou momentos de prestígio e de ostracismo ao longo de mais de quatro décadas na Polícia Civil paulista.

Fontes começou a carreira no interior, tornou-se referência no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no início dos anos 2000 e, em 2006, denunciou toda a cúpula da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Como titular da 5ª Delegacia de Roubo a Banco do Deic, passou a ser alvo de ameaças de morte.

Conflito e rebaixamento

A trajetória sofre reviravolta a partir de 2008, quando o então secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, assume a pasta. Desafetos declarados, os dois trocaram acusações e Fontes foi deslocado para unidades de menor prestígio, como o 69º DP, em São Mateus, zona leste. Em 2010, o Ministério Público detectou plano de execução contra o delegado; agentes da Rota impediram a emboscada.

Em 2011, já no 69º DP, ele foi acusado de conduzir investigação paralela sobre o roubo a cofres do Itaú na Avenida Paulista. Alegações semelhantes se repetiram e, em 2012, Fontes acabou transferido para o 92º DP, no Parque Santo Antônio, zona sul, considerado um “castigo” dentro da corporação.

Retomada e comando máximo

A queda de Ferreira Pinto, no fim de 2012, recolocou Fontes em rota ascendente. Ele chefiou o Denarc, comandou o Decap e, em 2019, foi nomeado delegado-geral da Polícia Civil pelo então governador João Doria, cargo que manteve até 2022. Em janeiro de 2023, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande.

Detalhes da execução

Câmeras de segurança mostram o carro de Fontes passando às 18h16 por uma rua próxima à Prefeitura de Praia Grande. Um veículo com quatro ocupantes o persegue; após cerca de 2,5 km, o ex-delegado colide com um ônibus na Avenida Roberto de Almeida Vinhas e capota. Os criminosos descem e disparam mais de 20 tiros de fuzil. Duas pessoas que estavam próximas ficaram feridas, uma delas ainda hospitalizada.

Investigação aponta dois suspeitos

O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, informou ter dois suspeitos identificados. O primeiro, já qualificado, possui histórico de prisões e apreensões na juventude; segundo a SSP, ele não seria o atirador. A prisão temporária dos envolvidos foi solicitada.

Questionado sobre participação do PCC, Derrite afirmou que detalhes serão divulgados “no momento oportuno”. A força-tarefa não descarta o envolvimento de agentes públicos nem outras motivações ligadas à atuação de Fontes como secretário municipal.

Carreira marcada pelo combate ao crime organizado

Especialista em investigação do PCC, Fontes comandou divisões como Homicídios, Entorpecentes e Roubo a Banco. Também lecionou Criminologia e Processo Penal na Universidade Anhanguera e na Acadepol.

No auge da repressão à facção, foi jurado de morte por Marcola após colaborar na transferência de líderes para presídios federais em 2019. Agora, a polícia trabalha para esclarecer se a execução foi vingança do crime organizado ou resultado de interesses locais contrariados.

O corpo do ex-delegado foi velado em São Paulo e sepultado na capital. A SSP afirma que todas as linhas de investigação permanecem abertas.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles

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