O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), afirmou que a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para a liderança da minoria na Câmara dos Deputados tem como objetivo principal blindar o parlamentar de um possível processo de cassação por faltas em sessões plenárias.
Em entrevista divulgada nesta segunda-feira (data não informada pela fonte), Randolfe disse que a escolha representa “um escândalo” e configura “um drible no Regimento Interno” da Câmara. “Transformaram Eduardo Bolsonaro em líder da minoria para justificar suas ausências. É a utilização de uma prerrogativa para absolver um parlamentar que está, do exterior, conspirando contra o Brasil”, declarou.
Ausências justificadas
De acordo com o regimento da Câmara, líderes partidários ou de bancadas podem justificar faltas em plenário desde que comprovem atividades inerentes à função, como reuniões, negociações políticas ou representações institucionais. Para Randolfe, o dispositivo está sendo usado de forma indevida neste caso. “A liderança exige presença em votações, articulações e encontros. Estão convertendo essa regra em salvo-conduto”, criticou.
Eduardo Bolsonaro encontra-se nos Estados Unidos, onde, segundo o senador, estaria “conspirando contra os interesses nacionais”. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acumulava ausências que poderiam motivar representação no Conselho de Ética da Casa. Com a nova função, essas faltas podem ser justificadas retroativamente, afastando o risco de perda de mandato.
“Líder da bancada estrangeira”
O parlamentar do Amapá ironizou a situação ao afirmar que o Congresso passa a ter, agora, “o líder da bancada estrangeira”. “Temos um deputado exercendo o mandato fora do Brasil. E, em vez de ser investigado, ele é promovido”, enfatizou Randolfe.
Trâmite regimental
Questionado se a mudança depende apenas do aval do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o senador confirmou. “Regimentalmente é possível. A condição de líder permite esse tipo de movimentação. O problema está no uso político para encobrir um comportamento que deveria ser apurado”, afirmou.
Até o momento, nem Eduardo Bolsonaro nem a presidência da Câmara se pronunciaram sobre as declarações de Randolfe Rodrigues.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
