Um homem de 29 anos voltou a ser preso em flagrante na noite de quarta-feira, 15 de outubro, após espancar a mãe, de 62 anos, e agredir o padrasto, de 55, na residência da família, no bairro Tijucal, em Cuiabá. Identificado pelas iniciais Y.T.M.C., o suspeito já havia cumprido cinco meses de detenção no começo do ano por tentar matar o mesmo padrasto com golpes de tesoura.
A Polícia Militar foi acionada duas vezes pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp). Na primeira, durante a madrugada, o suspeito conseguiu fugir. Ele retornou à noite, quando os policiais o encontraram ainda na casa e efetuaram a prisão.
Violência começou de madrugada
De acordo com o boletim de ocorrência assinado pelos policiais militares Walmir dos Santos Padilha e Renato Carradine Sousa, a confusão começou por volta das 5h. O padrasto contou que o enteado tentava levar um notebook para trocar por drogas. Ao ser impedido, o agressor arremessou o aparelho no chão, partiu para cima da vítima com socos e chutes e causou escoriações, além de deslocar o ombro do padrasto. Para conter o ataque, o padrasto entregou o próprio celular, modelo Motorola cinza, que também teria sido usado para comprar entorpecentes.
A mãe, N.M.C., tentou intervir, mas foi empurrada, caiu e sofreu arranhões no braço direito. O suspeito ainda quebrou estante e cadeiras antes de ameaçar o padrasto de morte. Assustado, o casal deixou o imóvel e acionou a PM.
Prisão convertida em preventiva
Apresentado em audiência de custódia na tarde de quinta-feira, 16 de outubro, o flagrante foi convertido em prisão preventiva pela juíza Silvana Ferrer Arruda. A magistrada destacou o histórico de violência do investigado e afirmou que a liberdade representaria “risco grave e concreto” à vida das vítimas, classificando o caso como “tragédia anunciada”.
Na análise da juíza, pesou ainda o processo em curso por tentativa de homicídio contra o padrasto, registrado em fevereiro. Naquela ocasião, Y.T.M.C. teria usado uma tesoura para desferir golpes no pescoço e no abdômen da vítima.
Relatos na delegacia
Ouvido pela delegada Divina Aparecida Vieira Martins da Silva, o acusado admitiu ser usuário de maconha desde os 12 anos e de pasta base há oito meses. Ele declarou ter agido em legítima defesa depois de ser chamado de “noiado” e “vagabundo” enquanto usava drogas nos fundos da casa. Confessou ter levado o celular do padrasto para vender, mas negou agressões à mãe e disse ter quebrado apenas o próprio guarda-roupa.
Em depoimento, o padrasto relatou criar o enteado desde os dez anos e afirmou que a agressividade aumentou nos últimos dois anos, após o início do consumo de pasta base. Já a mãe, que nunca havia sido agredida fisicamente, confirmou que o filho fica “fora de controle” sob efeito da droga e costuma vender objetos da residência.
Medidas protetivas
Durante o preenchimento do Formulário Nacional de Avaliação de Risco, N.M.C. solicitou medidas protetivas de urgência, demonstrando receio de consequências mais graves. A Polícia Civil prossegue com a investigação por lesão corporal, ameaça, dano e violência doméstica, além de possível reincidência na tentativa de homicídio.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT
