O corpo de Maria Clara Aguirre Lisboa, de cinco anos, foi localizado na tarde de terça-feira (14) no quintal da casa onde vivia com a mãe e o padrasto, em Itapetininga, interior de São Paulo. A criança estava em estado avançado de decomposição e havia sido enterrada e concretada no terreno, segundo a Polícia Civil.
Os dois principais suspeitos, a mãe Luiza Aguirre Barbosa da Silva e o companheiro dela, Rodrigo (sobrenome não informado), foram presos no mesmo dia e confessaram o homicídio. Em audiência de custódia realizada na quarta-feira (15), a Justiça manteve a prisão preventiva de ambos. Rodrigo foi encaminhado à cadeia de Capão Bonito e Luiza transferida para a unidade prisional de Votorantim.
Sepultamento sem velório
Devido ao estado do corpo, não foi possível realizar velório. O sepultamento ocorreu na tarde de quarta-feira (15) no Cemitério Colina da Paz, em Itapetininga, acompanhado apenas por parentes do pai biológico da menina. A família paterna informou que buscava a guarda de Maria Clara e já havia recorrido ao Conselho Tutelar e à Polícia Civil.
Denúncias e tentativas de intervenção
O Conselho Tutelar confirmou que a criança estava sob responsabilidade da mãe e que medidas protetivas haviam sido adotadas para orientar o núcleo familiar. O órgão declarou não ter poder para retirar a guarda sem decisão judicial e relatou várias tentativas de contato com Luiza, todas sem retorno. Um boletim de ocorrência foi registrado em 8 de outubro, mesma data em que o Conselho recebeu denúncia sobre a possível morte da menina.
Áudios revelam ameaça
Dias antes da descoberta do corpo, o padrasto enviou um áudio ao pai biológico informando que a filha estava morta e que não existia mais ligação entre ele e Luiza. Nas gravações, acrescentadas ao inquérito, Rodrigo usa tom de ameaça e pede que o pai pare de procurar o casal. A avó paterna, Vanderleia Monteiro do Amaral, disse ter notado marcas de agressões nos punhos da neta durante visitas de fim de semana.
Investigação aponta tortura e ocultação
De acordo com o delegado Franco Augusto, a menina era vítima de agressões frequentes praticadas pela mãe e pelo padrasto. O casal admitiu que descontava frustrações na criança porque ela “atrapalhava” a rotina deles. A polícia apreendeu uma britadeira com manchas de sangue, supostamente utilizada nas agressões.
Os suspeitos afirmaram que, após matarem a menina, levaram cerca de dois dias para enterrá-la. Em seguida, concretaram o local para esconder o crime. A perícia estima que o corpo estivesse sepultado há cerca de 20 dias.
Próximos passos
O inquérito segue em andamento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itapetininga. Laudos periciais devem detalhar a causa da morte e o período exato em que o homicídio ocorreu. O casal pode responder por homicídio qualificado, tortura e ocultação de cadáver.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
