O ex-deputado federal e ex-prefeito de Sinop, Nilson Leitão, confirmou que deixará o PSDB, partido ao qual é filiado há mais de três décadas, para viabilizar candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. A decisão, segundo ele, responde à dificuldade de formar uma chapa competitiva dentro da sigla e à busca por um “projeto melhor” para Mato Grosso.
Durante visita à redação do Rdnews, Leitão revelou ter recebido convites de PP, União Brasil, Podemos e PL, mas descartou a legenda de Jair Bolsonaro. “Não é pelo número matemático, é pelo projeto. Vou decidir qual é o melhor projeto para o Estado”, afirmou. Ele destacou que ainda não comunicou oficialmente sua saída ao presidente regional do PSDB, deputado estadual Carlos Avallone, mas garantiu que o fará “no momento certo”.
Desidratação tucana
Leitão avalia que o PSDB perdeu espaço no espectro de direita com o avanço do bolsonarismo. “O partido ocupava esse espaço, mas o eleitor, cansado de escândalos, generalizou todo mundo e o bolsonarismo ocupou”, disse. Para o ex-parlamentar, esse cenário dificultou a formação de chapas proporcionais, uma vez que, no cálculo atual, são necessários de 180 mil a 200 mil votos para eleger um deputado federal em Mato Grosso.
O político lembra que construiu toda a carreira dentro do PSDB—foi vereador, prefeito de Sinop, deputado estadual e federal—mas considera a mudança indispensável. “Nunca mudei de partido, mas agora é necessário. Sem uma chapa consistente, não há como competir”, resumiu.
Propostas e prioridades
Hoje presidente do Instituto Pensar Agro e consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Leitão diz que sua plataforma será focada em projetos de impacto direto na população. Ele critica a polarização ideológica que, em sua visão, impede a criação de uma agenda nacional. Entre os temas que pretende defender estão o desenvolvimento de hidrovias, medidas contra o feminicídio e a ampliação da produção agrícola.
Disputa em Sinop
Questionado sobre a presença de outros pré-candidatos de Sinop à Câmara—casos de Juarez Costa (MDB) e da ex-prefeita Rosana Martinelli (PL)—Leitão vê espaço para todos. “As regiões médio-norte e norte somam cerca de 500 mil eleitores; cabem dois ou três representantes. Rondonópolis já teve até quatro. Acho excelente”, avaliou.
Embora o calendário eleitoral ainda permita prazo para filiações, o ex-deputado afirma que pretende definir o novo partido nos próximos meses. “Estou conversando, avaliando cenário e estrutura de cada legenda. O importante é ter um time competitivo e plano claro para Mato Grosso”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Rdnews
