Imagens divulgadas nas redes sociais no domingo (5) mostram oito helicópteros militares dos Estados Unidos realizando voos rasantes sobre o mar na região dos campos de petróleo de Trinidad e Tobago, a aproximadamente 15 quilômetros da península de Paria, extremo nordeste da Venezuela. As fotos foram analisadas nesta quarta-feira (8) por grupos de inteligência de fonte aberta, entre eles o OSINTdefender, que confirmaram a autenticidade dos registros e geolocalizaram o ponto exato do exercício.
Os aparelhos identificados são quatro MH-60 Seahawk e quatro MH-6M Little Bird, modelos frequentemente empregados pelo 160th Special Operations Aviation Regiment (SOAR), unidade de elite do Exército norte-americano responsável pelo suporte aéreo a fuzileiros e forças especiais. O regimento ganhou notoriedade mundial em 2011, quando transportou o grupo da Marinha que matou Osama bin Laden no Paquistão.
Manobras mantêm clima de tensão
Nem Washington nem Caracas comentaram oficialmente o sobrevoo. Embora treinamentos na área não sejam inéditos — em junho foi realizado o exercício TW25, que reuniu forças especiais dos EUA e do México para simular a defesa de plataformas de petróleo —, esta é a primeira vez que imagens de aeronaves táticas tão próximas do território venezuelano vêm a público.
O episódio ocorre em meio à escalada verbal entre o ex-presidente Donald Trump e o governo de Nicolás Maduro. Desde o fim de seu mandato anterior, Trump acusa a administração venezuelana de envolvimento com o tráfico de drogas, sobretudo fentanil, e assinou decreto que equipara cartéis a grupos terroristas, medida que, segundo assessores, abre caminho para ações militares sem necessidade de autorização adicional do Congresso.
Capacidade de projeção
Segundo analistas, as aeronaves estariam operando a partir do M/V Ocean Trader, navio cargueiro adaptado pela Marinha norte-americana como base flutuante para helicópteros e tropas. Sites de monitoramento marítimo situam o navio ao largo de Trinidad e Tobago, próximo ao local onde as imagens foram captadas.
Além do componente aéreo, os EUA mantêm na região uma força naval que inclui destróieres, submarinos e caças furtivos F-35. Oficialmente, a missão é combater o narcotráfico no Caribe; porém, países vizinhos temem que a presença crescente resulte em operação direta contra o governo de Maduro.
Reações e riscos
A Venezuela já respondeu a movimentos similares. No mês passado, aviões militares de Caracas sobrevoaram um destróier norte-americano em águas internacionais, e, há uma semana, cinco F-35 dos EUA foram observados próximo à fronteira aérea venezuelana. Maduro denuncia um plano de Washington para derrubá-lo e assumir o controle das vastas reservas de petróleo do país.
Para especialistas, a defesa antiaérea venezuelana é limitada, o que torna plausíveis cenários de ataques cirúrgicos ou operações de captura. A exibição pública dos MH-60 e MH-6M, portanto, pode servir como aviso. Ao mesmo tempo, o governo de Maduro usa a ameaça externa para mobilizar forças armadas e base política interna em torno da “defesa da pátria”.
Enquanto as partes trocam demonstrações de força, analistas regionais avaliam que o risco de confronto aberto permanece, mas a probabilidade imediata de invasão é considerada baixa. Por ora, o episódio acrescenta um novo capítulo à série de provocações que marca a relação entre Washington e Caracas.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
