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Ministro venezuelano empunha facão e desafia EUA

Caracas – O ministro da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, fez um discurso inflado contra os Estados Unidos na quinta-feira (16/10), em Carayaca, estado de La Guaira, segurando um facão diante de militares. Ele prometeu reagir a qualquer incursão estrangeira “com as armas do povo” e declarou que, se necessário, a defesa da pátria seria feita “até com os dentes”.

A manifestação ocorreu poucas horas depois de o ex-presidente Donald Trump autorizar a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar operações em território venezuelano. Segundo o governo de Nicolás Maduro, a medida norte-americana se soma a ofensivas navais contra embarcações acusadas de transportar drogas da Venezuela para os EUA, ações que já teriam deixado 27 mortos.

“Camponês com facão”

Durante a cerimônia militar, Cabello advertiu que qualquer força estrangeira enfrentará resistência popular organizada em todo o país. “Quem tentar entrar aqui encontrará um camponês com facão em qualquer lugar e um fuzil da pátria em cada esquina”, afirmou, destacando que as armas da nação estariam nas mãos do povo.

Exercícios e zonas de defesa

Em resposta ao agravamento das tensões, o presidente Nicolás Maduro ordenou exercícios militares em Caracas e ativou, nesta sexta-feira (17/10), as Zonas de Defesa Integral de Mérida, Trujillo, Lara e Jaracuí. A medida coloca civis armados — até o momento 468 milicianos — em prontidão para atuar ao lado das Forças Armadas na proteção de “segurança nacional e estabilidade regional”, segundo o governo.

Pressão dos Estados Unidos

A escalada verbal e militar acontece em meio a uma política de Washington que classifica organizações internacionais de tráfico como grupos terroristas, abrindo caminho para ações ampliadas no Caribe. Trump acusa Maduro de chefiar o Cartel de los Soles, suposta facção de narcotráfico vinculada a militares venezuelanos, e justificou o envio de navios de guerra e caças F-35 à região para “combater o tráfico marítimo”.

Com a nova autorização presidencial, a CIA pode conduzir missões de inteligência — inclusive letais — de forma independente ou em apoio a tropas norte-americanas instaladas nas águas caribenhas. Caracas interpreta a decisão como tentativa explícita de derrubar o governo Maduro.

Soberania em pauta

Cabello reforçou que a defesa da soberania é “inabalável” e convocou a população a permanecer alerta. Ele descreveu os venezuelanos como “humildes e trabalhadores” dispostos a “fazer tudo por amor à pátria” e afirmou que, em Carayaca, “não há medo nem rendição”.

Enquanto isso, observadores internacionais apontam que o aumento da presença naval dos EUA no Caribe eleva o risco de choques diretos. Embora Washington ainda não tenha anunciado operação terrestre, as autoridades venezuelanas veem os exercícios militares em curso como preparação para um possível confronto.

Até o momento, não há relato de diálogo formal entre Caracas e Washington para redução de tensões. A Venezuela insiste que qualquer tentativa de intervenção será respondida pelo que chama de “poder popular armado”, enquanto o governo norte-americano mantém a pressão diplomática e militar contra o Palácio de Miraflores.

Com o facão erguido como símbolo de resistência, Cabello encerrou o discurso conclamando soldados e civis a permanecerem preparados. “Aqui se luta pela dignidade, pela consciência e pelo amor à Venezuela”, enfatizou, sob aplausos dos militares presentes.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de news.google.com

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