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Lula quer reconhecer música gospel como patrimônio cultural

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que pretende conceder à música gospel o status de patrimônio cultural brasileiro já na próxima semana. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17), durante a abertura da última reunião ministerial de 2023, realizada na Granja do Torto, em Brasília.

Lula destacou o tema ao se dirigir ao ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado pelo Palácio do Planalto para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Messias é evangélico e tem intensificado articulações com parlamentares conservadores na tentativa de viabilizar sua aprovação no Senado.

Em tom descontraído, o presidente afirmou que, uma vez reconhecida a música gospel como patrimônio, o futuro ministro poderá “cantar seus hinos” no Palácio do Planalto sem qualquer restrição. A declaração arrancou risos da plateia, composta por ministros e assessores.

Indicação contestada

Apresentado como candidato ao STF no fim de novembro, Jorge Messias enfrenta resistência no Legislativo. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi adiada para 2026, movimento que escancarou atritos entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre chegou a defender o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a cadeira na Suprema Corte.

A demora na análise da indicação expõe a necessidade do Executivo em ampliar sua base de apoio, especialmente entre parlamentares ligados às pautas religiosas. O próprio Lula tem buscado reduzir a rejeição junto ao eleitorado evangélico, segmento que, segundo pesquisas, segue majoritariamente alinhado a lideranças de direita.

Estratégia com foco religioso

O gesto de transformar a música gospel em patrimônio cultural é visto dentro do governo como oportunidade de aproximar a administração federal de igrejas e fiéis. Recentemente, o Planalto passou a intensificar agendas com lideranças religiosas e a repetir discursos de defesa da liberdade de culto.

Apesar das sinalizações, levantamentos de opinião apontam que a desconfiança permanece alta entre evangélicos. Integrantes do núcleo político do governo reconhecem a dificuldade de reverter o cenário, mas avaliam que ações simbólicas, como a anunciada por Lula, podem abrir portas para negociações futuras.

Peso no Congresso

A apresentação de pautas bem recebidas pelo segmento religioso ocorre em meio a um ambiente de tensão com o Congresso Nacional. O Executivo depende do aval dos parlamentares para avançar em projetos considerados prioritários, especialmente na área de segurança pública — ponto em que o governo vem sofrendo críticas constantes.

Segundo interlocutores, a formalização do título de patrimônio cultural para a música gospel deverá ser feita por decreto presidencial ou por ato conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O texto, no entanto, ainda não foi detalhado publicamente.

Integrantes da equipe econômica avaliam que a medida não acarretará custos adicionais diretos, mas pode abrir caminho para incentivos fiscais e editais de fomento específicos ao gênero, prática já aplicada a outros patrimônios culturais reconhecidos pelo Estado brasileiro.

Se confirmada, a iniciativa se somará a outras ações simbólicas voltadas a grupos religiosos, estratégia considerada decisiva para a construção de uma base parlamentar mais sólida e para a redução da rejeição junto ao eleitorado evangélico.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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