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Fluxo de venezuelanos no Brasil mantém queda após deposição de Maduro

Os registros de entrada de cidadãos venezuelanos no Brasil permanecem em patamar reduzido desde a captura de Nicolás Maduro por militares dos Estados Unidos, episódio que elevou a tensão política na Venezuela, mas não alterou a rotina da fronteira brasileira em Pacaraima (RR).

Dados da Operação Acolhida, força-tarefa criada pelo governo federal em 2018 para acolher migrantes e refugiados, mostram que o fluxo no estado de Roraima recuou 26,94% em 2025, mesmo com o agravamento da crise no país vizinho. Naquele ano, o número de venezuelanos que atravessaram a fronteira ficou abaixo dos volumes apurados em 2024.

Movimento em 2026 segue contido

Nos primeiros 13 dias de 2026, 1.014 venezuelanos ingressaram no Brasil por Pacaraima, de acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com apoio da Operação Acolhida. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 2.121 entradas, praticamente o dobro do total atual.

Presente desde o início da crise migratória, Pacaraima continua a ser a principal porta de acesso dos venezuelanos: das mais de 1,3 milhão de pessoas que chegaram ao Brasil desde 2018, 962.528 optaram pela fronteira no extremo Norte. O município, entretanto, recebe hoje mais profissionais de imprensa, turistas e agentes de segurança do que novos solicitantes de refúgio.

Governo de Roraima confirma estabilidade

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), afirmou acompanhar diariamente a situação e relatou que os serviços públicos estão dentro da capacidade planejada. “Depois de toda a tensão envolvendo Estados Unidos e Venezuela, o clima voltou à tranquilidade; não houve retomada da migração em massa”, declarou.

Desde a criação da Operação Acolhida, 731.648 venezuelanos já passaram por triagem, vacinação, regularização documental e encaminhamento a abrigos ou a outros estados brasileiros. As Forças Armadas, agências federais, governos locais e organismos internacionais participam da iniciativa.

Entidades sociais mantêm atendimento no mesmo ritmo

Organizações que apoiam a população venezuelana também não registraram aumento na procura por assistência. A Associação Venezuela Global, fundada em 2021, oferece suporte jurídico, social e cursos de integração ao mercado de trabalho. “Não houve grandes mudanças na demanda neste início de ano”, informou o presidente da ONG, William Clavijo Vitto. Ainda assim, ele pondera que a comunidade acompanha com cautela o processo de transição política em Caracas.

Cenário político indefinido

Enquanto o ex-presidente norte-americano Donald Trump defende tutela dos Estados Unidos sobre a Venezuela até a realização de novas eleições, a presidente interina Delcy Rodríguez reafirma a soberania nacional, embora já tenha atendido a algumas exigências de Washington. A definição dos rumos políticos do país vizinho é vista por especialistas e imigrantes como fator decisivo para futuros movimentos migratórios.

Por ora, tanto as estatísticas oficiais quanto os relatos de governos e organizações apontam que o deslocamento de venezuelanos rumo ao Brasil segue controlado, sem sinais de retomada do fluxo intenso observado nos anos anteriores.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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