O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu na noite de domingo (17), aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no hospital DF Star, onde tratava um câncer no pâncreas diagnosticado em meados de 2024. A doença avançou para o peritônio, levando-o à fase paliativa no início de 2025.
Nascido em Recife (PE), Jungmann iniciou a militância política no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a ditadura militar. Ainda na capital pernambucana, foi eleito vereador. Participou da criação do PPS, ingressou depois no MDB e circulou por outras legendas, consolidando uma trajetória marcada por diálogo com diferentes correntes ideológicas.
Carreira no Executivo
Entre 1996 e 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), comandou três pastas: Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário e Políticas Fundiárias. À frente da reforma agrária, ganhou projeção nacional num período de forte tensão no campo, que incluiu o massacre de Eldorado do Carajás, em 1996. Seu perfil conciliador rendeu críticas tanto do setor ruralista quanto do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Em 2017, o então presidente Michel Temer o nomeou ministro da Defesa. No ano seguinte, Jungmann assumiu o recém-criado Ministério da Segurança Pública e conduziu a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. Nesse período ocorreu o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, episódio que ele classificou como “metástase do Estado paralelo”, referindo-se à atuação de milícias e do narcotráfico.
Atuação parlamentar
Elegeu-se deputado federal pelo PPS em 2002, exercendo mandatos de 2003 a 2011 e, posteriormente, de 2015 a 2016. No Congresso, integrou comissões ligadas à defesa, meio ambiente e agricultura.
Relação com Forças Armadas e Judiciário
Durante o governo Temer, estreitou laços com a cúpula militar, especialmente com o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. No campo jurídico, foi interlocutor frequente em momentos de crise institucional. Em 2016, figurou entre os signatários do pedido que barrou a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Civil, decisão posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal pelo ministro Gilmar Mendes.
Últimos anos
Mesmo fora do Executivo, Jungmann manteve influência nos bastidores. Em artigo de 2021, alertou para riscos de ruptura institucional e antecipou cenários semelhantes aos eventos de 8 de janeiro de 2023. No setor privado, assumiu em 2023 a presidência de uma entidade ligada à mineração, focada em ações decorrentes da tragédia de Brumadinho (MG) e em projetos ambientais.
Em 2024, após detectar tumores no pâncreas e no peritônio, iniciou tratamento oncológico que se estenderia até a fase paliativa. Mesmo com limitações, coordenou, ao lado do ministro da Defesa, José Múcio, discussões sobre um novo marco legal para as Forças Armadas, iniciativa que não chegou a ser concluída.
Vida pessoal
Filho do jornalista Sylvio Jungmann da Silva Pinto, Raul cursou Psicologia, mas não concluiu a graduação, dedicando-se integralmente à política. Era reconhecido pelo relacionamento cordial com a imprensa e pelo estilo de comunicação direta. Deixa dois filhos, Bruno e Júlia, e residia em Brasília com a companheira Natalie.
O velório e o sepultamento serão realizados na capital federal, em horários ainda não divulgados pela família.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
