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Portugal terá 2º turno entre António Seguro e André Ventura

Lisboa – A eleição presidencial de Portugal, realizada no domingo (18), terminou sem vencedor definido. Com 99,02% das urnas apuradas, António José Seguro, ex-líder do Partido Socialista (PS), obteve 31,04% dos votos válidos, enquanto André Ventura, presidente do Chega, alcançou 23,61%. Como nenhum candidato ultrapassou 50% dos votos, os dois disputarão o segundo turno em 8 de fevereiro.

É a primeira vez em quatro décadas que os portugueses retornarão às urnas para escolher o chefe de Estado. O último pleito a exigir segundo turno ocorreu em 1986, quando Mário Soares foi eleito.

Funções do presidente

Portugal adota o sistema semipresidencialista. Nessa estrutura, o primeiro-ministro chefia o governo, mas o presidente da República exerce prerrogativas constitucionais relevantes, como nomear o primeiro-ministro, promulgar ou vetar leis, convocar referendos, comandar as Forças Armadas e representar o país no exterior. O chefe de Estado também pode dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições, medida que nunca foi usada na atual fase democrática.

Cenário eleitoral fragmentado

A multiplicidade de candidaturas já indicava a chance de segundo turno. Pesquisa de boca de urna da Universidade Católica para a RTP, divulgada no dia da votação, mostrava Seguro e Ventura na dianteira. O resultado oficial confirmou o quadro, mas revelou concorrentes com desempenho expressivo:

• João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal, centro-direita) – 15,88%
• Henrique Gouveia e Melo (independente, direita) – 12,36%
• Luís Marques Mendes (PSD, centro-direita) – 11,44%

Do lado progressista, lideranças tentaram articular o chamado “voto útil” em torno de António Seguro para conter o avanço da direita, estratégia que não evitou a realização da nova rodada de votação.

Reconfiguração partidária

A ascensão de Ventura reflete a evolução recente do Chega no Parlamento. De um único deputado em 2019, a legenda saltou para 60 cadeiras. Já o PS, que conquistara maioria absoluta em 2022 com 120 assentos, caiu para 58. A esquerda tradicional também encolheu: o Bloco de Esquerda passou de 19 para 1 deputado, e o Partido Comunista Português, de 12 para 3. A única sigla a crescer no campo progressista foi o Livre, que saltou de 1 para 6 parlamentares.

Com o segundo turno marcado para 8 de fevereiro, eleitores portugueses voltarão às urnas para decidir quem ocupará a Presidência pelos próximos cinco anos.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política

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