O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como “evidente abuso eleitoreiro” o enredo da escola de samba Acadêmicos do Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite de domingo, 15 de fevereiro, no sambódromo Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Em declaração divulgada nesta segunda-feira (16/2), Nunes disse que o Carnaval deve ser preservado como manifestação cultural, sem servir de palanque político. “O Carnaval é uma festa popular de expressão cultural. É algo muito importante e não deve ser usado para campanha eleitoral disfarçada”, afirmou.
Crítica à legislação eleitoral
O chefe do Executivo paulistano sustentou que a apresentação contraria a legislação eleitoral porque ocorre em ano de eleições municipais. Segundo ele, a apresentação não apenas exalta Lula como também ataca adversários, caracterizando, em sua visão, propaganda fora do período permitido.
“Foi uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente. Em ano eleitoral, é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder”, declarou Nunes.
Contexto do desfile
A Acadêmicos do Niterói desfilou na Série Ouro da Liga de Carnaval carioca. O enredo exaltou a trajetória política e pessoal de Lula, reproduzindo momentos emblemáticos de sua carreira, desde a liderança sindical no ABC Paulista até a chegada ao Palácio do Planalto. Algumas alas traziam referências visuais à campanha presidencial de 2022, o que motivou críticas de oposicionistas.
Parlamentares aliados do governo federal defenderam a liberdade artística da escola, argumentando que outras figuras políticas já foram tema de desfiles sem que houvesse questionamentos. Já partidos de oposição cogitam acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para avaliar possível violação à lei.
Repercussão política
O posicionamento de Ricardo Nunes ecoou manifestações de lideranças contrárias ao presidente. Integrantes do PL e do Novo, por exemplo, divulgaram notas em que acusam a escola de promover propaganda antecipada. Ambientes ligados ao PT classificaram as críticas como tentativa de censura.
A campanha de Nunes à reeleição em São Paulo ainda não foi oficialmente lançada, mas o prefeito tenta se aproximar de setores conservadores na capital paulista. A declaração contra a homenagem a Lula ocorre num momento em que o gestor busca fortalecer alianças de olho no pleito de outubro.
Procurada pela reportagem, a direção da Acadêmicos do Niterói não havia se pronunciado até o fechamento desta edição. Representantes da escola, contudo, informaram em entrevistas anteriores que o enredo foi inscrito antes do período eleitoral e que a apresentação se enquadra no direito à manifestação artística garantido pela Constituição.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ainda não se manifestou sobre eventual apuração.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
