O agronegócio mato-grossense, pilar da economia estadual e nacional, vive um momento de contrastes. Enquanto o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) celebra a projeção de uma safra recorde de soja para o ciclo 2025/26, o cenário para o milho segunda safra e os custos de produção acendem um alerta entre os produtores. As análises foram apresentadas pelo analista Henrique Eggers durante a 17ª Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis, revelando um panorama detalhado que combina otimismo com a necessidade de cautela.
A palestra “Imea em Campo” trouxe à tona dados cruciais para o planejamento do setor, destacando a complexidade de um ambiente agrícola que lida constantemente com variáveis climáticas e econômicas. A informação contextualizada é vital para que os agricultores e demais elos da cadeia produtiva possam tomar decisões estratégicas diante das perspectivas para as próximas temporadas.
Soja: Produção histórica impulsionada pela área
A grande notícia para o setor é a expectativa de uma colheita de soja sem precedentes. O Imea estima que Mato Grosso alcançará a marca de 51,56 milhões de toneladas na safra 2025/26. Este volume representa o maior já registrado pelo estado, superando os 50,89 milhões de toneladas do ciclo anterior. O feito é atribuído principalmente à expansão da área cultivada, que chegou a 13,013 milhões de hectares, uma vez que a produtividade média, de 66,03 sacas por hectare, não superou o recorde de 66,29 sacas por hectare da safra passada.
Apesar do recorde de volume, a cultura da soja não esteve isenta de desafios. Henrique Eggers detalhou que o ciclo 2025/26 foi marcado por um déficit hídrico no início do plantio em algumas regiões, seguido por um excesso de chuvas na fase final. Essa instabilidade climática teve impacto direto no peso dos grãos e resultou em um aumento de 3,4% nas lavouras com grãos avariados em comparação com a safra anterior, um fator que compromete a qualidade e o rendimento final da produção. A gestão desses riscos climáticos permanece como um dos maiores desafios para a sustentabilidade da produção de soja no estado.
Milho safrinha: Atraso no plantio e dependência climática
O panorama para o milho segunda safra, ou safrinha, é mais complexo e exige atenção. O analista do Imea destacou o atraso significativo no plantio, uma consequência direta do excesso de chuvas em fevereiro, que prolongou a colheita da soja e impediu o avanço das operações de semeadura do milho dentro da janela ideal. O levantamento aponta que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora do período recomendado, um número superior ao do ano anterior.
Para a safra de milho 2025/26, a projeção atual do Imea indica uma área plantada de 7,39 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 116,6 sacas por hectare e uma produção total prevista de 51,72 milhões de toneladas. Contudo, Eggers enfatizou que o desfecho dessa safra está intrinsecamente ligado ao comportamento climático das próximas semanas, com as chuvas do final de abril e início de maio sendo cruciais para a consolidação da produtividade. A ameaça do fenômeno El Niño, que pode trazer maior instabilidade hídrica, adiciona uma camada de incerteza a essa equação, exigindo monitoramento constante por parte dos produtores.
Cenário econômico: Custos em alta e rentabilidade apertada
Além dos fatores climáticos, os produtores rurais de Mato Grosso enfrentam uma pressão crescente nos custos de produção. O Imea revelou que as despesas para a próxima temporada estão em elevação. Para a soja da safra 2026/27, o custo total estimado é de R$ 8.037,13 por hectare, representando um aumento de 4,70%. No caso do milho, o cenário é ainda mais desafiador, com o custo total previsto em R$ 7.303,96 por hectare, uma alta de 8,59%.
Essa escalada de custos, combinada com um cenário de rentabilidade mais apertada, exige planejamento e gestão eficientes por parte dos agricultores. A análise do Imea serve como um importante balizador para que o setor se prepare para os desafios econômicos e climáticos que se avizinham, buscando estratégias para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade da produção. A flutuação dos preços de insumos e commodities no mercado internacional também contribui para essa complexidade, demandando uma visão estratégica e adaptável dos produtores.
O trabalho do Imea: Avaliação abrangente e dados cruciais
As projeções e alertas apresentados por Henrique Eggers são fruto do projeto “Imea em Campo”, uma iniciativa robusta desenvolvida em parceria com a Associação dos Produtores Rurais de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense de Agronegócio (Iagro). Este projeto tem como objetivo primordial realizar avaliações técnicas diretamente nas lavouras, garantindo a coleta de dados representativos e de alta qualidade sobre o desempenho das culturas no estado.
A edição deste ano do “Imea em Campo” foi considerada uma das mais completas, com uma cobertura impressionante: 71 dias de avaliações, 34.880 quilômetros percorridos, 998 análises realizadas e 103 municípios visitados. O levantamento abrangeu 97,92% da área total de soja cultivada em Mato Grosso na safra 2025/26, coletando indicadores quantitativos e qualitativos como número de plantas por hectare, vagens e grãos por planta, peso e umidade dos grãos, além da identificação de pragas, doenças, plantas daninhas e grãos avariados. Essa metodologia aprofundada é o que confere credibilidade e relevância às projeções do Imea para o setor, fornecendo uma base sólida para a tomada de decisões no campo.
O agronegócio mato-grossense, com sua dinâmica e importância, exige acompanhamento constante. Para se manter atualizado sobre as projeções de safra, análises de mercado, políticas agrícolas e todos os temas que impactam o campo e a economia do estado, continue acompanhando o MATO GROSSO AO VIVO. Nosso compromisso é trazer informação relevante, contextualizada e de qualidade para você.
