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Mudança dos EUA reacende debate sobre trégua em Gaza

Os Estados Unidos alteraram de forma visível a sua posição no conflito entre Israel e Hamas, movimento que passou a influenciar diretamente as tratativas por um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Após meses de apoio quase irrestrito a Israel, a administração do presidente Joe Biden passou a defender, em público, uma interrupção “imediata e duradoura” dos combates, acompanhada de ajuda humanitária e troca de reféns.

A mudança ocorreu em meio a uma combinação de pressões: protestos em universidades norte-americanas, críticas de parceiros europeus e descontentamento de nações árabes consideradas moderadas. Além disso, pesquisas internas indicaram desgaste do governo entre jovens e eleitores progressistas, parcela significativa para a campanha de reeleição em 2024.

Interferência direta nas negociações

Com a nova orientação, Washington retomou presença ativa nas negociações conduzidas paralelamente no Catar e no Egito. Diplomatas norte-americanos passaram a condicionar parte do fornecimento de armamentos a Israel à apresentação de garantias para a população civil de Gaza. O recado, segundo fontes próximas às conversas, foi de que o apoio militar deixaria de ser ilimitado.

Ao mesmo tempo, mediadores dos EUA participaram de acordos pontuais que permitiram pausas humanitárias, abertura de corredores para entrada de suprimentos médicos e libertação de reféns israelenses mantidos pelo Hamas. Mesmo sem consenso definitivo, as iniciativas sinalizaram que o ritmo das hostilidades pode ser freado quando Washington decide agir.

Netanyahu isolado

O isolamento político de Israel ganhou contornos mais visíveis após o ex-presidente Donald Trump, anteriormente aliado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, recusar um encontro solicitado por ele. Trump declarou que Israel “perdeu o controle” e “arruinou a própria imagem”, críticas que repercutiram em jornais americanos e israelenses.

Analistas diplomáticos interpretaram o episódio como demonstração de que figuras de destaque nos EUA, mesmo fora do governo, têm poder para influenciar a legitimidade internacional de Israel. A distância pública de Trump ocorreu em momento em que Tel Aviv enfrenta condenações por bombardeios que atingiram áreas civis, hospitais e infraestruturas essenciais em Gaza.

Impacto humanitário pesa nas decisões

Relatórios de organizações de ajuda estimam milhares de mortos entre civis palestinos desde o início da ofensiva, iniciada em resposta ao ataque do Hamas em outubro. O sistema de saúde do enclave, já fragilizado por bloqueios anteriores, entrou em colapso diante da falta de energia e medicamentos. Esses números reforçaram a pressão sobre a Casa Branca, que até então sustentava a narrativa de “direito de defesa” de Israel sem restrições explícitas.

Nesse contexto, autoridades americanas reconheceram que o custo político de manter a posição anterior tornou-se alto demais. A recalibração da política externa buscou preservar a aliança histórica com Israel, mas também conter danos à imagem dos EUA em fóruns multilaterais e no cenário doméstico.

Próximos passos

Embora o cessar-fogo total ainda dependa de avanços nas negociações indiretas entre Israel e Hamas, diplomatas acreditam que a intervenção dos Estados Unidos continuará sendo decisiva. O governo Biden reafirmou que “todas as vidas civis importam” e que pretende trabalhar por uma solução que inclua segurança para Israel e reconstrução de Gaza, mas sem detalhar prazos.

Por ora, a sinalização de Washington de que o apoio militar não é incondicional adiciona novo fator de pressão sobre Israel, que tenta equilibrar operações contra o Hamas com a necessidade de recuperar respaldo internacional. O desenrolar das conversas nas próximas semanas indicará se a inflexão norte-americana se converterá em trégua efetiva ou se permanecerá como mais um capítulo na longa disputa pela definição de quem, afinal, decide sobre guerra e paz no Oriente Médio.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNEWS

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