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Saúde mental influencia diretamente a saúde do coração

Transtornos como depressão e ansiedade, considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) os “males do século”, não afetam apenas o bem-estar emocional: também representam risco adicional ao sistema cardiovascular. O alerta é do cardiologista Daniel Diehl, que aponta a ligação entre condições psicológicas e o surgimento ou o agravamento de doenças cardíacas.

Relatório da OMS estima que 332 milhões de pessoas convivam hoje com depressão, número que ultrapassa 4% da população mundial. No Brasil, estatística da entidade de 2017 já indicava 18,6 milhões de casos de transtornos ansiosos. Esses índices, segundo Diehl, exigem atenção integrada entre corpo e mente.

Pilares para um coração saudável

O especialista elenca quatro fatores como base da prevenção cardiovascular: prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, cuidado com a saúde mental e um componente menos citado em consultórios, mas relevante, segundo ele: espiritualidade.

“A Sociedade Brasileira de Cardiologia possui diretriz que reconhece a importância da fé. Ter religião ou exercer espiritualidade, independentemente da crença, está associado a menor incidência de doenças do coração”, ressalta Diehl.

Números reforçam a preocupação

Dados recentes da OMS mostram que 5,7% dos adultos no planeta sofrem de depressão. A prevalência é de 4,6% entre homens e 6,9% entre mulheres. O mês de setembro, marcado por campanhas de prevenção ao suicídio e de conscientização sobre problemas cardíacos, reforçou o recado: “Não há como discutir saúde cardiovascular sem abordar saúde mental”, afirma o médico.

Impacto na rotina e nos tratamentos

Diehl explica que sintomas depressivos ou ansiosos comprometem hábitos essenciais ao bom funcionamento do coração. Pessoas nessas condições tendem a reduzir a prática de exercícios, adotar alimentação inadequada e, em muitos casos, não seguir orientações médicas ou interromper uso de medicamentos prescritos. “Não dá para dissociar a mente de nenhum órgão”, acrescenta.

Consenso internacional

A preocupação ultrapassa fronteiras. Em agosto deste ano, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) publicou o primeiro consenso clínico sobre a necessidade de rastrear e acompanhar, de forma conjunta, fatores mentais e cardiovasculares. O documento, divulgado no European Heart Journal, indica que a presença simultânea dos dois quadros potencializa riscos e piora o prognóstico dos pacientes.

Para Diehl, o posicionamento da ESC confirma a urgência de mudanças nos consultórios. “Profissionais de saúde precisam avaliar emocional e fisicamente seus pacientes. O risco é maior quando depressão, ansiedade e doença cardíaca caminham juntas”, conclui.

No Brasil, especialistas recomendam que o cuidado seja multidisciplinar, envolvendo cardiologistas, psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e educadores físicos. A combinação de acompanhamento médico, apoio psicológico, adoção de estilo de vida saudável e práticas de fé ou espiritualidade, quando pertinentes, pode reduzir significativamente as estatísticas de problemas cardíacos associados a transtornos mentais.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RD News

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