A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou inquérito para apurar denúncias de estupro de vulnerável, violência psicológica e abuso mediante uso de substâncias químicas atribuídos ao advogado e professor universitário Conrado Paulino da Rosa, de 42 anos. Até o momento, cinco mulheres – entre ex-alunas, colegas de trabalho e ex-companheiras – formalizaram queixas na 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Porto Alegre.
Segundo a delegada responsável, as ocorrências teriam sido registradas entre 2013 e 2025. A investigação começou após o recebimento de uma denúncia anônima; depois disso, outras vítimas procuraram a polícia. A corporação não descarta a possibilidade de novos depoimentos.
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Os testemunhos apontam um padrão de conduta que inclui uso de um ambiente de confiança para cometer abusos, receio das vítimas de sofrerem prejuízos profissionais e episódios de sonolência repentina ou apagões de memória atribuídos a suplementos e medicamentos supostamente administrados sem consentimento.
Uma das denunciantes declarou que, após ingerir metade de um copo de bebida alcoólica oferecido pelo professor, sentiu forte sonolência e confusão mental, perdendo a consciência pouco depois. Ela recorda ter despertado brevemente enquanto Conrado insistia em manter relação sexual e relata ter acordado na manhã seguinte com sangramentos, hematomas e ferimentos na região íntima.
Medidas judiciais
A advogada Gabriela Souza, que representa o grupo de mulheres, informou que já adotou providências em âmbitos cível, penal e administrativo, incluindo pedido de medida protetiva de urgência. “Os impactos psicológicos, sociais e laborais são imensos. Esperamos que este movimento encoraje outras mulheres a denunciar”, afirmou.
Posicionamento do investigado
Em nota divulgada nas redes sociais, Conrado Paulino da Rosa destacou ter “respeito pela profissão” e afirmou confiar no trabalho das autoridades, enfatizando que “investigação não equivale a condenação”. O advogado declarou repudiar qualquer forma de violência contra a mulher e criticou a divulgação de informações sigilosas sem autorização. Sua defesa diz acompanhar o caso e se manter à disposição da Justiça.
Repercussão institucional
A Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), onde Conrado lecionava na graduação e no mestrado e coordenava a pós-graduação em Direito de Família e Sucessões, comunicou o desligamento do docente por decisão administrativa, “sem juízo antecipado” sobre os fatos externos à instituição.
O Instituto Brasileiro de Direito de Família – seccional gaúcha (IBDFAM-RS) divulgou nota de consternação e informou que a Diretoria Nacional afastou o professor de suas funções “como medida urgente e necessária”.
Já a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB-RS) instaurou processo ético-disciplinar de ofício e avalia eventual suspensão preventiva, garantindo contraditório e ampla defesa. A entidade solicitou cópia do inquérito à polícia para instruir o procedimento interno.
Conrado Paulino da Rosa é autor de pelo menos 18 livros sobre Direito de Família e foi presidente do IBDFAM-RS. Ele tem ênfase acadêmica na área e, até o afastamento, ministrava aulas para graduação, mestrado e pós-graduação.
O inquérito segue em andamento, e a Polícia Civil permanece ouvindo testemunhas e reunindo provas para definir eventuais indiciamentos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
