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Arte queer em MT enfrenta preconceito e conquista prêmios

Produzir arte de forma independente em Mato Grosso continua sendo um desafio para criadores LGBTQIAPN+, que esbarram na falta de incentivo, no preconceito e na invisibilidade. O cenário é descrito por Elton Martins, fundador do coletivo MT Queer, que atua em Cuiabá desde 2016 com ações voltadas à cultura, educação e cidadania.

“Produzir arte em um estado que ainda luta contra as pessoas LGBTQIAPN+ é um ato de coragem e resistência diária”, afirma Martins. Segundo ele, a ocupação de espaços culturais ocorre graças ao esforço de artistas que se unem em coletivos para superar barreiras. Na capital, a arte queer se manifesta por meio de ballroom, audiovisual, pixo e música.

Reconhecimento internacional

Em setembro, o MT Queer representou o estado no Apulia Web Fest 2025, na Itália, onde venceu o prêmio de melhor websérie com “Flor Cuiabana”. Disponível no canal do coletivo no YouTube, a produção soma mais de 16 milhões de visualizações. O resultado, diz Martins, comprova a capacidade de transformar “dor em arte, exclusão em cena e ausência em presença”.

Nascido na comunidade rural João Carro, em Chapada dos Guimarães, o produtor recorda que sonhar com liberdade artística parecia distante. “O audiovisual me ensinou a tornar possível o que antes era apenas desejo”, relata.

Premiação local fortalece a cena

Para valorizar criações LGBTQIAPN+ no estado, o coletivo instituiu o MT Queer Premia, que chega à quinta edição neste ano. A iniciativa reconhece produções audiovisuais, performances musicais e outras expressões artísticas desenvolvidas por pessoas queer mato-grossenses.

Martins observa evolução técnica e narrativa desde a primeira edição da premiação. “Hoje já vemos obras com mais qualidade, diversidade de histórias e representatividade de pessoas negras, periféricas e do interior contando suas próprias vivências”, comenta.

Resistir para existir

De acordo com o produtor, o fortalecimento de coletivos é decisivo para que artistas consigam acessar editais, viabilizar projetos e ocupar palcos, galerias e telas. “Não foi fácil nem para mim nem para tantas pessoas LGBTQIAPN+ que tentam ocupar espaços na cultura de Mato Grosso. Mas seguimos”, completa.

A quinta edição do MT Queer Premia promete manter o foco na valorização de talentos locais e na difusão de produções que dialogam com diversidade, identidade e direitos humanos. Para Martins, a continuidade do projeto confirma que “o impossível é só questão de tempo e persistência”.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNEWS

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