Em passagem por Cuiabá há cerca de uma semana, o filósofo e professor Clóvis de Barros Filho destacou a importância de viver com alegria e afastado de tudo o que aprisiona. Aos participantes da palestra, o docente — formado em Jornalismo e Direito, mestre em Ciência Política e doutor em Ciências da Comunicação — afirmou que a busca interior pelo conhecimento e pela felicidade deve prevalecer sobre ambições restritas a status profissional e acúmulo de dinheiro.
Durante a apresentação, Barros mencionou a teoria da reminiscência de Platão. Segundo ele, o diálogo entre Sócrates e o escravo de Mênon prova que as respostas essenciais já residem em cada pessoa e apenas precisam ser redescobertas. “Temos inteligência para compreender o que se espera de nós e liberdade para caminhar ou não em direção a esse propósito”, disse.
O palestrante também relatou que há dois anos foi diagnosticado com a Doença de Behçet, enfermidade rara e sem cura, motivo pelo qual evita contato físico próximo. Mesmo assim, ele atrelou sua condição à ideia de resiliência como ato de resistência, não simples aceitação. “É preciso apanhar e seguir em frente, colocando a esperança adiante do medo”, declarou.
No encontro, Barros sublinhou a fugacidade da existência e a pequenez humana diante do universo. Para ilustrar, questionou a própria relevância: “Sou do tamanho de um grão de areia? Menos”, respondeu a si mesmo. Ainda assim, defendeu que cada indivíduo tem valor por ser parte integrante do todo.
Ao tratar das adversidades, o filósofo aconselhou o público a não se paralisar pelo temor da perda de potência ou importância. Para ele, é fundamental atravessar cada estágio da vida com alegria, pois a tristeza costuma nascer da felicidade observada no outro. “Entristecedores de plantão estão em toda parte tentando nos derrubar”, alertou.
Barros encorajou os ouvintes a alinhar escolhas pessoais ao que consideram essencial, mesmo que tais opções não paguem todas as contas. “Não se tornem escravos das circunstâncias”, recomendou, frisando que a alegria deve ser repetida e procurada em todos os momentos, já que migrar desse sentimento para medo ou tristeza representa “a pior equação possível”.
Ao final, o professor recordou a própria trajetória: “Escolhi ser professor; muitos optaram por se tornarem poderosos senadores. Hoje, sou o professor dos senadores”. A frase resume, segundo ele, a decisão de arriscar mais e atribuir valor à existência — princípios que, reforçou, podem sustentar uma vida que se queira eternizar.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
