O governo dos Estados Unidos redirecionou a operação militar que mantém no Caribe para focar na derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, segundo reportagem divulgada neste sábado (19) pelo Financial Times. Fontes da oposição venezuelana e especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que o plano, inicialmente voltado ao combate ao tráfico de drogas, passou a priorizar a saída forçada do líder chavista.
Maior mobilização em três décadas
Navios de guerra, caças B-52 e tropas especiais foram enviados para a costa venezuelana, configurando a maior presença militar norte-americana na região em mais de 30 anos. A movimentação, apontam analistas, serve tanto para intimidar o alto escalão do regime quanto para criar condições de uma eventual ação cirúrgica.
Captura de Maduro é objetivo central
Vanessa Neumann, empresária do setor de defesa e ex-representante da oposição em Washington, disse ao periódico britânico que a diretriz atual é “capturar e remover Maduro de qualquer maneira, vivo ou morto”. Ex-assessores da Casa Branca relataram que o presidente Donald Trump evita discutir detalhes políticos e concentra-se nos resultados práticos da operação.
Um antigo integrante do Conselho de Segurança Nacional descreveu Trump como “tático”, ajustando o plano conforme surjam oportunidades. Segundo essa fonte, Maduro teria oferecido concessões para evitar o agravamento da crise, mas a Casa Branca insiste na rendição completa do líder venezuelano.
Guerra psicológica e mudanças de rotina
Imagens de aeronaves militares norte-americanas e helicópteros Black Hawk circulam nas redes sociais, reforçando a pressão psicológica sobre Caracas. De acordo com o Financial Times, generais e ministros trocam de telefones, mudam rotas noturnas e substituem parte da segurança cubana para escapar de monitoramento.
Mesmo sob tensão, Maduro ordenou exercícios militares em todo o país e intensificou atos públicos com discurso nacionalista. Empresários ligados ao governo relataram ao jornal um clima de paranoia, com caçada aos supostos traidores nas Forças Armadas e na polícia.
Capacidade militar venezuelana em xeque
A reportagem descreve um aparato das Forças Armadas venezuelanas debilitado por falta de peças e equipamentos obsoletos. Em contrapartida, o presidente conta com cerca de um milhão de milicianos armados, prontos para reagir a uma possível incursão estrangeira.
Enquanto aliados garantem coesão do núcleo chavista, opositores afirmam que parte da cúpula considera entregar Maduro para negociar uma transição pacífica. O general ouvido pela publicação revelou que autoridades se dividem entre Caracas, Valência e Maracay na tentativa de despistar eventuais ataques.
Oposição projeta liderança pós-Maduro
Na clandestinidade, María Corina Machado, recém-agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, é apontada como nome de transição em caso de queda do regime. Sua equipe acredita que a intervenção norte-americana abriria caminho para que Edmundo González, indicado pela oposição como vencedor das últimas eleições, assuma com respaldo internacional.
Temor de colapso e custos logísticos
Empresários norte-americanos com interesses no país alertaram ao FT que, sem um plano de reconstrução, a Venezuela pode repetir cenários como o do Iraque ou da Líbia. Analistas vinculados à oposição discordam, alegando que o país não possui divisões sectárias suficientes para sustentar um conflito prolongado.
O jornal destaca ainda o peso financeiro de manter tropas em prontidão no Caribe durante a temporada de furacões, que se estende até novembro. O tempo, sublinha a publicação, é crítico para o governo Trump.
Com a operação em andamento, Washington mantém silêncio oficial sobre prazos ou próximos passos, enquanto Caracas reforça a retórica de resistência e procura blindar sua cadeia de comando.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
