NOVA YORK (EUA) – O rapper norte-americano Curtis “50 Cent” Jackson, 49 anos, foi processado em um tribunal de Nova York após publicar, em rede social, que “homens que se relacionam com mulheres trans são gays”. O comentário, posteriormente apagado, é apontado pelos autores da ação como discurso de ódio e incentivo à discriminação contra pessoas trans e seus parceiros.
O processo foi aberto por um grupo de ativistas e cidadãos que se identificam como defensores dos direitos LGBTQIA+. Nos documentos apresentados à Corte, eles solicitam indenização por danos morais e a imposição de medidas que impeçam o artista de repetir declarações semelhantes no futuro.
Acusação de discurso discriminatório
Segundo a petição, a mensagem publicada por 50 Cent contribuiu para “um ambiente de hostilidade e estigma”, violando leis estaduais e federais que protegem minorias de discursos que promovam violência ou exclusão. Os autores afirmam que a declaração do rapper reforça estereótipos, ridiculariza identidades de gênero e coloca em risco a segurança da comunidade trans.
A peça processual sustenta ainda que o comentário faz parte de um “padrão de conduta” do artista. O texto cita episódios anteriores em que Jackson teria feito observações homofóbicas ou transfóbicas em entrevistas e plataformas digitais. Em 2019, por exemplo, o rapper foi alvo de críticas após dizer que qualquer homem envolvido romanticamente com uma mulher trans seria “gay”, afirmação que repercutiu negativamente em veículos internacionais e entre músicos do hip-hop.
Pedidos à Justiça
Além da compensação financeira, cujo valor não foi divulgado, os demandantes pedem que o tribunal determine a remoção de conteúdo semelhante das redes sociais do artista e exija retratações públicas. O grupo também solicita que 50 Cent participe de programas de conscientização sobre diversidade sexual e de gênero.
Procurado por meio de sua assessoria, o rapper não havia comentado o caso até a última atualização desta reportagem. Nas redes, seguidores se dividem entre críticas à fala do músico e manifestações de apoio, alegando liberdade de expressão. Especialistas em direito civil consultados pelos autores argumentam que a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos não protege discursos que incitem discriminação ou violência.
O tribunal de Nova York ainda não marcou audiência inicial para ouvir as partes. Caso seja considerado culpado, Jackson pode ser condenado a pagar indenizações e receber ordens de restrição para evitar repetição de condutas consideradas discriminatórias.
Apesar das controvérsias, 50 Cent segue ativo no mercado musical e em projetos de entretenimento, como séries de televisão e acordos de negócios. A defesa do artista deverá ser formalizada nos próximos dias, quando o processo entrar oficialmente na pauta do tribunal.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de No Centro do Poder
