Um médico passou a ser alvo de críticas nas redes sociais depois de se recusar a emitir um atestado em linguagem neutra para um paciente. A negativa provocou intensa repercussão virtual e reacendeu o debate sobre a forma como profissionais de saúde lidam com demandas relacionadas à identidade de gênero.
Segundo relatos publicados em plataformas digitais, o paciente solicitou que o documento utilizasse pronomes neutros. O profissional, no entanto, argumentou que segue as regras gramaticais vigentes na língua portuguesa e as orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM). Com base nesses critérios, ele optou por redigir o texto do atestado segundo a norma padrão, o que motivou a recusa em adotar a linguagem solicitada.
Entidades e ativistas LGBTQIA+ classificaram a postura como discriminatória. Para esses grupos, a recusa fere o direito do paciente de ter sua identidade reconhecida no ambiente de atendimento, configurando, na avaliação deles, um ato de homofobia. Nas publicações feitas após o episódio, usuários denunciaram o caso e cobraram posição dos conselhos profissionais.
O médico, cuja identidade não foi divulgada, afirmou em respostas nas próprias redes sociais que não agiu com preconceito, mas apenas cumpriu normas técnicas. Ele ressaltou que o CFM e os conselhos regionais não contemplam, em seus manuais, orientações específicas sobre o uso de linguagem neutra em documentos médicos, motivo pelo qual manteve a formatação tradicional.
Diante da repercussão, representantes de movimentos LGBTQIA+ pediram que conselhos de classe revisem diretrizes para incluir formas de linguagem que respeitem a expressão de gênero de pacientes. Já profissionais da área jurídica apontam que não há legislação federal que obrigue o uso de pronomes neutros, abrindo espaço para diferentes interpretações sobre possíveis atos discriminatórios.
Até o momento, não há registro de abertura de procedimento disciplinar contra o médico. O Conselho Regional de Medicina (CRM) do estado onde o caso ocorreu informou, por meio de nota, que pode analisar denúncias formais, caso sejam apresentadas, mas reforçou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre o episódio.
No ambiente digital, o caso segue dividindo opiniões. Parte dos usuários defende a autonomia do profissional para seguir normas linguísticas tradicionais, enquanto outros consideram a medida um desrespeito à identidade de pessoas não binárias. Especialistas em direito médico observam que a discussão aponta para uma lacuna regulatória, já que as resoluções atuais não abordam expressamente o tema.
Sem consenso, o episódio adiciona novo capítulo ao debate sobre inclusão e respeito à diversidade nos serviços de saúde, questionando até que ponto a norma linguística pode se sobrepor ao reconhecimento da identidade de gênero de pacientes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
