O Ministério de Minas e Energia (MME) reafirmou, na segunda-feira, 20 de janeiro de 2026, a importância do Sul Global na reformulação das cadeias de minerais críticos durante mesa-redonda organizada pelo Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável (IGF). O encontro, realizado de forma virtual, reuniu delegações de países latino-americanos e africanos para discutir estratégias que elevem a agregação de valor na atividade mineral.
Em sua intervenção, a pasta brasileira destacou que a transição energética mundial depende diretamente do acesso a minerais estratégicos e apontou como desafio central a superação do modelo histórico baseado na exportação de matérias-primas sem processamento local. Para o MME, integrar políticas mineral, industrial e energética é condição essencial para expandir benefícios econômicos e sociais gerados pela mineração no território nacional.
O coordenador-geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética no Setor Mineral, Gustavo Masili, afirmou que o Brasil avança na elaboração de uma “estratégia estruturante” para o segmento. “O Estado brasileiro tem sinalizado de forma clara que quem investe em inovação, processamento mineral e responsabilidade ambiental encontrará um ambiente favorável, com instrumentos de crédito e apoio institucional”, pontuou.
Instrumentos já em operação
Durante a apresentação, o MME listou iniciativas concebidas para transformar diretrizes em resultados concretos. Entre elas estão a chamada pública de Pesquisa e Desenvolvimento em Transformação Mineral, lançada em 2025, e a modernização de instrumentos financeiros voltados a projetos sustentáveis, que buscam facilitar o acesso de empresas a recursos e garantir escala a empreendimentos de processamento local.
Outro eixo enfatizado foi a atração de investimentos com previsibilidade regulatória. Para isso, o governo tem implantado plataformas digitais de informação e guias voltados a investidores estrangeiros, medidas que visam ampliar a transparência e reduzir custos operacionais.
Cooperação regional
O Brasil também defendeu o aprofundamento da cooperação entre países sul-americanos, especialmente no âmbito do Mercosul. A proposta é aproveitar complementaridades dos parques industriais da região para construir cadeias de valor integradas, fortalecendo a competitividade frente a mercados tradicionais e emergentes.
Segundo o MME, combinar riqueza mineral, matriz energética limpa, inovação tecnológica e vontade política é o caminho para que países do Sul Global ocupem posição de protagonismo na nova agenda de desenvolvimento mineral. O ministério ressaltou que manterá diálogo permanente com parceiros latino-americanos e africanos para trocar experiências em boas práticas regulatórias, exigências ambientais e modelos de financiamento.
Ao final da mesa-redonda, representantes do IGF elogiaram a disponibilidade brasileira em compartilhar conhecimentos e ressaltaram que a coordenação de esforços entre nações em desenvolvimento pode acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e alicerçada em cadeias produtivas mais justas.
Com a participação no evento, o governo brasileiro reforça a intenção de exercer liderança na reconfiguração do mercado global de minerais estratégicos, adotando políticas que aliem desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério de Minas e Energia
