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Caminhoneiros adiam greve nacional após negociação com Boulos

Os caminhoneiros brasileiros decidiram adiar, por enquanto, a deflagração de uma greve nacional, que estava sendo considerada em resposta à recente e expressiva elevação nos preços do diesel. A resolução foi alcançada em uma assembleia realizada na noite de quinta-feira, 19 de outubro, indicando um período de negociação e um “voto de confiança” ao governo federal.

A ameaça de paralisação surgiu em meio a um cenário de forte aumento no valor do combustível, essencial para a categoria. Nas últimas três semanas, o diesel registrou uma alta superior a 20%, impactado principalmente pela elevação do preço do barril de petróleo no mercado internacional, consequência direta da guerra no Oriente Médio.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, confirmou o engajamento do governo nas discussões. Em entrevista concedida ao Programa Alô Alô Brasil, de José Luiz Datena, na manhã desta sexta-feira, 20 de outubro, Boulos enfatizou o caráter “muito insistente e respeitoso” das conversas mantidas com as lideranças dos caminhoneiros.

Apesar do adiamento inicial, a situação ainda será monitorada de perto. As lideranças da categoria têm um novo encontro agendado com o ministro Guilherme Boulos para a próxima segunda-feira, 25 de outubro. Posteriormente, na terça-feira, 26 de outubro, os representantes dos caminhoneiros se reunirão novamente em assembleia para reavaliar a conjuntura e decidir se efetivarão ou não uma paralisação em todo o país.

Boulos ressaltou que uma das ações que auxiliaram o avanço das negociações foi a edição, também na quinta-feira, da Medida Provisória 1.343/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A MP visa endurecer a fiscalização sobre o cumprimento do piso do frete dos caminhoneiros, ponto considerado fundamental pela categoria.

Especulação e Impostos no Foco

Na visão do ministro, grande parte do aumento do preço do diesel decorre de especulação de mercado. Ele argumentou que o reajuste efetuado pela Petrobras foi inicialmente compensado pela decisão do governo federal de zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível, o que, em um primeiro momento, manteria o valor estável. Boulos, no entanto, apontou as distribuidoras como as principais responsáveis pela subida subsequente.

Com forte tom de crítica, o ministro citou nominalmente as empresas que, em sua avaliação, estariam elevando os preços de forma indevida. “Aqui vamos dar nome aos bois: a dona Ipiranga, dona Raízen, dona Vibra são as três grandes distribuidoras que foram especular em cima da desgraça do povo”, declarou Guilherme Boulos.

O governo federal também mantém tratativas com os governadores de estado na tentativa de que estes zerem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel, complementando a desoneração federal de PIS e Cofins. Boulos mencionou a recusa de alguns gestores estaduais em adotar tal medida. “Lula zerou o PIS e Cofins sobre o óleo diesel e sobre o petróleo. Eles [os governadores Tarcísio de Freitas, Cláudio Castro e Romeu Zema] se recusam a zerar o ICMS”, afirmou o ministro.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Matogrossoaovivo

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