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Mato Grosso tem 8 faccionados entre os criminosos mais procurados do Brasil; “Angeliquinha” está no topo da lista

A inclusão de oito criminosos ligados a facções atuantes em Mato Grosso na lista nacional dos mais procurados do país acendeu um novo alerta sobre a dimensão e o grau de estrutura do crime organizado no Estado.

Entre os nomes destacados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, um chama atenção pela trajetória violenta e pela posição estratégica dentro da engrenagem criminosa: Angélica Saraiva de Sá, conhecida no submundo do crime como “Angeliquinha”.

Apontada como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) no norte mato-grossense, Angeliquinha tornou-se símbolo do avanço da facção em regiões do interior e da crescente dificuldade das forças de segurança em neutralizar operadores considerados de alta periculosidade.

A lista oficial, construída com base em critérios como liderança dentro das organizações criminosas, gravidade dos delitos e impacto operacional de eventual captura, reúne nomes considerados prioritários para o enfrentamento das facções em todo o país. Em Mato Grosso, todos os indicados possuem vínculos com organizações criminosas e são investigados ou condenados por crimes como homicídio, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Angeliquinha: da liderança faccional à condição de foragida nacional

Entre os oito nomes de Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, a Angeliquinha, desponta como uma das figuras mais emblemáticas da atual estrutura do crime organizado regional.

Ela cumpre condenações relacionadas a homicídios, ocultação de cadáver e organização criminosa, além de ter sido recentemente sentenciada a quase 100 anos de prisão por envolvimento direto na morte e tortura de quatro pessoas em Nova Monte Verde, em um caso que chocou o Estado.

Apesar da condenação, Angeliquinha está foragida desde agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Desde então, tornou-se alvo prioritário das forças de segurança e passou a integrar oficialmente a lista nacional dos criminosos mais procurados do Brasil.

Investigações mais recentes também apontam que familiares próximos da faccionada estariam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro superior a R$ 20 milhões, relacionado ao tráfico de drogas e à utilização de empresas para ocultação patrimonial em Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

Lista reúne lideranças faccionais de alta periculosidade

Além de Angeliquinha, a relação inclui outros nomes já conhecidos pelas forças policiais e considerados peças-chave na estrutura criminosa instalada em Mato Grosso:

Segundo o Ministério da Justiça, a seleção dos nomes leva em consideração a capacidade de comando dentro das facções, o alcance interestadual das ações criminosas e o impacto estratégico que suas capturas poderiam gerar na desarticulação das organizações.

Crime organizado avança para além das capitais

O mapa da criminalidade em Mato Grosso tem mostrado uma mudança preocupante: o fortalecimento das facções não se limita mais às grandes cidades.

Municípios do interior, especialmente no norte do Estado, passaram a ser áreas estratégicas para o tráfico, lavagem de dinheiro, recrutamento de membros e controle territorial.

A presença de nomes como Angeliquinha na liderança dessas estruturas reforça uma realidade já apontada por investigadores: o crime organizado passou a operar com níveis cada vez maiores de profissionalização, com redes familiares, empresas de fachada, atuação digital e mecanismos sofisticados de ocultação financeira.

Segurança pública enfrenta desafio crescente

A inclusão de oito faccionados de Mato Grosso entre os mais procurados do país também representa um recado institucional claro: o Estado tornou-se uma das frentes prioritárias no combate às organizações criminosas.

A expectativa das forças de segurança é que a divulgação nacional da lista amplie a colaboração da população por meio de denúncias e facilite ações integradas entre polícias estaduais, federais e órgãos de inteligência.

Enquanto isso, nomes como o de Angeliquinha seguem como símbolo de uma disputa que vai além da captura individual: trata-se de conter a expansão de estruturas criminosas que desafiam, cada vez mais, a capacidade de resposta do Estado.

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