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Polícia identifica empresários investigados por uso de perfil para difamar políticos em Mato Grosso

A operação apreendeu celulares e computadores usados nas ações dos suspeitos.

A Polícia Civil de Mato Grosso identificou os empresários Ricardo Ribeiro da Silva e Juliana Pereira Guimarães como alvos centrais da Operação Stop Hate, deflagrada na manhã desta quarta-feira (20), em Rondonópolis, no âmbito de uma investigação que apura a disseminação de conteúdos considerados caluniosos, difamatórios e ofensivos contra autoridades públicas do estado.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), os empresários seriam responsáveis pela administração da página Nexa Influence, apontada como instrumento utilizado para publicação sistemática de ataques contra agentes políticos e integrantes do poder público municipal.

Entre os alvos das publicações estão o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira.

Durante a ofensiva policial, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, além de duas medidas cautelares impostas aos investigados.

Equipes da Polícia Civil recolheram celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, que agora passarão por perícia técnica para aprofundamento das investigações.

O material apreendido poderá auxiliar na identificação da origem das postagens, da eventual rede de colaboradores envolvidos e da extensão da atuação dos perfis investigados.

Investigação aponta uso de inteligência artificial para ridicularizar vítimas

De acordo com a DRCI, a página e os perfis vinculados aos investigados publicavam conteúdos com acusações sem comprovação, ataques pessoais e materiais manipulados com auxílio de inteligência artificial, utilizados para constranger, ridicularizar e desgastar publicamente as vítimas.

As autoridades apontam que a estratégia digital ia além da crítica política, avançando para o campo da difamação e da disseminação de informações potencialmente falsas.

Entre os episódios apurados estão a falsa associação de um secretário municipal a um caso de homicídio, além da divulgação de publicações que vinculavam integrantes do Executivo municipal a supostos esquemas de corrupção sem qualquer prova apresentada.

Deputado também foi alvo de acusações nas redes

Outro ponto sob investigação envolve publicações direcionadas a um deputado estadual, que teria sido acusado nas redes sociais de utilizar um secretário municipal como “testa de ferro” — expressão frequentemente associada à ocultação de patrimônio, intermediação ilícita ou práticas relacionadas à fraude.

Para os investigadores, a repetição desse tipo de conteúdo indica possível atuação coordenada com o objetivo de atingir reputações e gerar desgaste político.

Justiça impõe restrições aos investigados

Além das apreensões, a Justiça determinou medidas cautelares contra Ricardo Ribeiro da Silva e Juliana Pereira Guimarães.

Entre as restrições impostas está a proibição de manter qualquer tipo de contato com as vítimas mencionadas na investigação, bem como a vedação expressa para que os investigados realizem novas publicações relacionadas aos alvos do caso.

As medidas visam impedir a continuidade das condutas investigadas e preservar a integridade dos envolvidos enquanto o inquérito avança.

A Operação Stop Hate reacende o debate sobre o uso das redes sociais como ferramenta de ataque político e sobre os limites entre liberdade de expressão e prática de crimes contra a honra.

Nos últimos anos, autoridades têm intensificado o monitoramento de perfis digitais utilizados para campanhas de desinformação, difamação e ataques direcionados contra figuras públicas e instituições.

A depender do avanço das investigações e da análise do material apreendido, o caso poderá revelar não apenas a autoria das publicações, mas também eventuais conexões políticas, interesses por trás dos ataques e a estrutura utilizada para impulsionar conteúdos nas plataformas digitais.

Investigação segue em andamento

A Polícia Civil não descarta novos desdobramentos, incluindo o surgimento de outros investigados e a ampliação das medidas judiciais.

O material recolhido será submetido à análise pericial, que deve ajudar a esclarecer a dinâmica da atuação da página Nexa Influence e a eventual responsabilização criminal dos envolvidos.

O caso segue sob sigilo parcial e permanece em investigação.

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