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Autor defende “cordão sanitário” para isolar extrema-direita e preservar a democracia

Em artigo publicado no portal RDNews, o professor e conselheiro independente Luiz Henrique Lima compara o mecanismo médico do “cordão sanitário” — utilizado para conter agentes patogênicos — a uma estratégia política destinada a proteger o Estado Democrático de Direito. Segundo ele, democracias europeias como França, Alemanha, Bélgica e Suécia já adotam essa barreira ética ao recusar qualquer tipo de cooperação com partidos de orientação neofascista ou de extrema-direita.

De acordo com o autor, siglas tradicionais, inclusive conservadoras ou de centro-direita, têm mantido posição de “tolerância zero” diante de legendas consideradas extremistas. Isso significa não firmar coligações eleitorais, não dividir comissões parlamentares nem trocar votos em projetos legislativos. O propósito é impedir que grupos que “flertam com o autoritarismo” ganhem legitimidade institucional para avançar dentro das estruturas democráticas.

Lima ressalta que o posicionamento europeu parte da premissa de que “a democracia não pode ser cúmplice de sua própria destruição”. Para reforçar o argumento, ele cita a ex-chanceler alemã Angela Merkel: “Não há cooperação com quem não respeita os valores fundamentais da nossa Constituição.” O articulista também recorre à frase do brasileiro Ulysses Guimarães — “Traidor da Constituição é traidor da Pátria” — para sublinhar o dever de defesa intransigente da ordem constitucional.

O texto observa que, em outros países, o “cordão sanitário” tem sido ignorado ou quebrado por atores que relativizam o perigo ou aceitam alianças oportunistas. Nesses contextos, a normalização do discurso de ódio seria vista pelo autor como concessão que aproxima a sociedade “de um abismo”.

Características do neofascismo contemporâneo

Na avaliação de Lima, os atuais movimentos neofascistas não dependem mais de símbolos tradicionais, como uniformes e suásticas, para espalhar intolerância. Em vez disso, exploram ferramentas tecnológicas para veicular mensagens racistas, misóginas, homofóbicas e de intolerância religiosa nas esferas virtual e presencial. Ainda segundo o autor, seus integrantes recuam momentaneamente quando confrontados, mas retomam a ofensiva “com a frieza de escorpiões”.

Urgência e finalidade da barreira

O professor define o cordão sanitário político como uma medida de “lucidez” e “defesa”, não como prática de intolerância. O objetivo, afirma, é proteger e fortalecer a democracia especialmente quando ela sofre ataques internos. Para ele, o isolamento de grupos antidemocráticos deve ocorrer de forma imediata, pois “toda concessão ao fascismo é um passo rumo ao abismo”.

Lima conclui que a experiência europeia pode servir de inspiração para democratas de diferentes correntes ideológicas em outras regiões. No entendimento do articulista, o sistema democrático exige vigilância diária e é incompatível com qualquer conciliação com forças que pretendam destruí-lo.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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