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Cidades recorrem a salário mínimo e sirenes para frear riscos de apps de entrega

Grandes centros urbanos passaram a adotar regras rigorosas para conter a escalada de acidentes envolvendo motociclistas que trabalham para plataformas de delivery. Nova York, nos Estados Unidos, e Adis Abeba, na Etiópia, são os exemplos mais recentes de cidades que decidiram intervir diretamente na operação dessas empresas para reduzir a imprudência no tráfego e garantir remuneração mínima aos trabalhadores.

Salário mínimo em Nova York

Desde 2023, os cerca de 60 mil entregadores que atuam em Nova York recebem pelo menos US$ 21,44 (R$ 114,16) por hora trabalhada, valor que passa por reajuste anual de acordo com a inflação. Antes da medida, os profissionais ganhavam, em média, US$ 5,39 (R$ 28,70). Segundo a prefeitura, o novo piso gerou, até abril, acréscimo de US$ 700 milhões (R$ 3,7 bilhões) à renda do grupo.

A discussão sobre a remuneração mínima começou em 2021, enfrentou resistência das plataformas, mas foi aprovada dois anos depois. Além do salário, a legislação impõe limites de distância para cada entrega, incentivando rotas mais curtas e velocidades menores.

Alarme sonoro em Adis Abeba

Na capital etíope, a administração municipal exige que as empresas compartilhem dados de telemetria e mantenham as motos abaixo de 50 km/h. Para cumprir a regra, as motocicletas recebem um dispositivo que emite alarme e luz vermelha sempre que o limite é ultrapassado. O sistema só é reiniciado em pontos de checagem oficiais, obrigando o condutor a reduzir a velocidade imediatamente.

A medida integra o projeto apoiado pela Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, que também responsabiliza as companhias por treinamento e adaptação dos prazos de entrega às novas regras.

Situação em São Paulo

Coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg no estado, Diogo Lemos afirma que os aplicativos “aumentam o número de motos e pressionam os entregadores a priorizar quantidade e rapidez, em detrimento da segurança”. Ele avalia que São Paulo, maior cidade do país, tem porte para negociar mudanças semelhantes às adotadas no exterior, como compartilhamento de dados, definição de valores mínimos e limites de velocidade.

Hoje, o iFood, maior plataforma de delivery na capital paulista, paga tarifa básica de R$ 7,50 por entrega realizada com motocicleta e R$ 7 no caso de bicicletas. Reportagem publicada em agosto mostrou que a empresa oferece bônus por tempo limitado em períodos de alta demanda, recurso que, segundo motofretistas, estimula corridas mais rápidas e arriscadas.

Pressão dos algoritmos

Lemos critica a “gamificação” das plataformas, que adotam rankings, metas e bonificações para manter os profissionais conectados o maior tempo possível. Essa mecânica, diz ele, leva entregadores a percorrer até 4 km para entregar um único copo de café, cenário considerado incompatível com a segurança viária.

Desafio das motocicletas

No Brasil, as mortes de motociclistas passaram de 6% para 33% do total de vítimas no trânsito entre 1998 e hoje. Para o especialista, além de regulamentar os aplicativos, as prefeituras precisam reforçar a fiscalização de velocidade, investir em transporte coletivo e estimular alternativas como bicicletas em rotas curtas.

Com a combinação de remuneração adequada, limites de velocidade controlados por tecnologia e fiscalização permanente, cidades buscam equilibrar a conveniência do serviço de entrega com a preservação da vida nas ruas.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles

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