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Declaração de porta-voz dos EUA reacende discussão sobre bomba atômica brasileira

Uma afirmação recente de uma porta-voz do governo dos Estados Unidos, que cogitou uma eventual intervenção militar em solo brasileiro, trouxe de volta ao centro do debate a possibilidade de o Brasil investir no desenvolvimento de armas nucleares. A indagação foi tema do artigo “Bomba atômica brasileira?”, assinado por Maurício Munhoz Ferraz, assessor da presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso e professor de economia, com colaboração de Sara Nadur Ribeiro, publicado no portal RDNews.

No texto, Ferraz lembra o antigo provérbio romano “Se queres a paz, prepara-te para a guerra” para questionar se o momento exigiria do Brasil uma revisão de sua histórica postura antinuclear. O autor compara a situação brasileira à de outros países que utilizam o poder atômico como mecanismo de dissuasão, citando a Coreia do Norte como exemplo emblemático.

Coreia do Norte como referência de dissuasão

No artigo, o caso norte-coreano é apontado como prova de que a posse de ogivas nucleares pode alterar o tom das relações internacionais. Segundo Ferraz, quando o líder Kim Jong-un ameaçou os Estados Unidos, o então presidente Donald Trump teria optado por diálogo e encontros pessoais em vez de uma resposta militar direta, justamente porque o país asiático detém arsenal nuclear.

Dilema entre pacifismo e poder militar

Ferraz reconhece que a ideia de o Brasil aderir à corrida por armamentos atômicos confronta o ideal pacifista consagrado pela diplomacia brasileira. Entretanto, argumenta que a falta de capacidade bélica significativa deixaria o país vulnerável a pressões internacionais, mesmo possuindo dimensões continentais e abundantes recursos naturais.

O autor ressalta ainda que o simples anúncio de um projeto nuclear demandaria alto investimento financeiro, capital político e eventual desgaste no cenário externo, fatores que precisam ser sopesados diante dos riscos de isolamento. “Para manter a paz, talvez seja preciso flertar com o maior símbolo da guerra”, escreve Ferraz, resumindo o paradoxo em discussão.

Compromisso histórico com o desarmamento

O texto recorda que o Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e mantém, desde a Constituição de 1988, o compromisso de utilizar energia nuclear apenas para fins pacíficos. A política de Estado, reitera Ferraz, conquistou respeito internacional ao destacar o país como potência emergente que defende o desarmamento global.

Apesar disso, o autor questiona se a atual conjuntura geopolítica, em que um representante dos EUA menciona intervenção armada, não exigiria revisão dessa orientação. “Será que a ameaça seria feita caso o Brasil tivesse a bomba atômica?”, provoca.

Ao final, Ferraz não apresenta uma conclusão definitiva, mas reforça a necessidade de o tema ser discutido pela sociedade e pela classe política. A reflexão, observa, não representa um convite à militarização, e sim uma ponderação sobre o equilíbrio entre valores pacifistas e mecanismos de proteção nacional.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews

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