A Justiça de Goiás ordenou a abertura dos dados de uma complexa rede de fundos de investimento com sede na região da Faria Lima, em São Paulo, apontada como ferramenta para ocultar o patrimônio da família do empresário goiano Lélio Carneiro, dono do falido Grupo Coral. A decisão mira estruturas administradas pela gestora Reag Investimentos, alvo recente de investigações da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo.
Ocultação de bens reconhecida
Em um dos processos, o Judiciário já reconheceu que os Carneiro utilizaram fundos encadeados para esconder ativos de credores. Em outra ação, a Reag resistiu em revelar quem são os cotistas e o beneficiário final, atitude contestada por magistrados. Mesmo após nova determinação judicial, o patriarca da família, Lélio Carneiro, tentou impedir a divulgação de informações alegando “devassa” incompatível com a lei, mas o pedido foi negado por um desembargador.
R$ 250 milhões em impostos cobrados
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) mapeou a “teia” de investimentos na tentativa de recuperar R$ 250 milhões em tributos não recolhidos pelo Grupo Coral. O rastreamento identificou que recursos saem de empresas controladas pelos Carneiro, circulam por outras quatro companhias e desembocam em dois fundos que investem em um terceiro, administrado pela Reag. Este, por sua vez, aplica em debêntures da empresa Firenze, também atribuída informalmente à família. Todo o montante foi bloqueado pela Justiça.
Estrutura sob suspeita no mercado
Reportagem do portal Metrópoles apurou a existência de 177 fundos sem auditoria ou considerados inauditáveis por falta de documentação, somando patrimônio de R$ 55 bilhões. Desses, 68 têm como únicos cotistas outros fundos, modelo que dificulta a identificação dos verdadeiros donos do dinheiro e que, segundo autoridades, vem sendo usado para blindar ativos de dívidas ou para lavagem de recursos de organizações criminosas.
Busca por bens e proposta no futebol
Dois meses antes da ordem de bloqueio, um credor tentou congelar R$ 1,4 milhão em contas de Lélio Carneiro, mas encontrou saldo zerado. Em agosto, o filho do empresário, Lélio Carneiro Jr., integrou um grupo que ofereceu R$ 500 milhões ao Vila Nova-GO para transformar o clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), negociação que também envolveria a Reag.
Investigações contra a Reag
No fim de agosto, a Reag foi alvo de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem bilionária no setor de combustíveis ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os beneficiários apontados em alguns fundos investigados estão Mohamad Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme, o “Beto Louco”, acusados de sonegar R$ 7,6 bilhões por meio das empresas Copape e Aster.
Posicionamento dos envolvidos
A família Carneiro não se manifestou sobre as ações judiciais. Já a Reag afirmou, em nota, que não participa de operações de ocultação de patrimônio ou lavagem de dinheiro, que nunca teve ligação com grupos criminosos e que atua em conformidade com as normas do mercado financeiro. A gestora acrescentou ter renunciado ou liquidado diversos fundos citados nas investigações e garantiu colaboração com as autoridades.
O processo que reúne as informações sobre cotistas, montantes e eventual responsabilização dos administradores segue em segredo de Justiça.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
