A confiança dos empresários da indústria brasileira voltou a recuar em janeiro. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) marcou 48,5 pontos, o pior resultado para o primeiro mês do ano desde 2016, quando atingiu 36,6 pontos durante a recessão econômica.
A pesquisa foi realizada entre 5 e 9 de janeiro com 1.058 empresas distribuídas em todas as regiões do país. Do total de entrevistadas, 426 são pequenas, 383 médias e 249 grandes indústrias. Abaixo da linha de 50 pontos, o indicador sinaliza falta de otimismo no setor produtivo.
Cenário de juros elevados
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o resultado reflete a política monetária considerada restritiva. Ele lembra que a taxa Selic, mantida em 15% ao ano desde o fim de 2024, pressiona o custo do crédito e reduz a disposição para investir. “À medida que os juros subiram e os efeitos foram sentidos na atividade econômica, a confiança se consolidou em patamar baixo”, afirmou.
Entidades empresariais apontam que o nível da Selic é um dos principais obstáculos para a expansão da produção e para novos aportes privados. O ICEI até registrou leve alta de 0,5 ponto na comparação com dezembro, mas esse avanço não foi suficiente para recolocar o índice acima da linha que separa confiança de desconfiança.
Empresas buscam alternativas fora do país
Enquanto a confiança interna recua, cresce o número de companhias que avaliam transferir parte das operações para países vizinhos. O Paraguai aparece como destino preferencial, impulsionado por ambiente fiscal considerado mais favorável e previsibilidade regulatória. O movimento inclui tanto plantas industriais quanto estruturas administrativas, em busca de menores custos e menor carga tributária.
O fenômeno é observado por associações empresariais e por consultorias especializadas em realocação internacional. Para a CNI, o atual conjunto de condições internas — juros elevados, incertezas regulatórias e carga tributária — contribui para a decisão de deslocar investimentos.
Série histórica
O ICEI de janeiro interrompe um período em que o índice permaneceu persistentemente abaixo de 50 pontos ao longo de 2023. A última vez que a confiança do industrial esteve acima desse patamar em janeiro foi em 2022, quando registrou 56,7 pontos. A queda acumulada desde então revela a dificuldade de recuperação plena do setor em meio à combinação de cenário externo instável e custos internos crescentes.
O indicador da CNI é composto pela percepção dos empresários sobre as condições correntes do negócio e pelas expectativas para os próximos seis meses. Ambos os componentes estão em terreno desfavorável, embora o otimismo com o futuro apresente resultado ligeiramente melhor que o diagnóstico sobre a situação atual.
A confederação destaca que, caso não haja redução significativa dos juros ou melhora dos fatores que influenciam o ambiente de negócios, o quadro de confiança deprimida tende a persistir, com impacto direto nos planos de produção e investimento ao longo de 2024.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
